domingo, 10 de julho de 2011

1ª temporada: Porque sei que é amor: CAPÍTULO 28

CAPÍTULO 28: ARRUMANDO AS MALAS


Pedi rescisão do meu contrato do hospital para dedicar-me exclusivamente ao meu projeto da tese do mestrado e aos preparativos do meu casamento com Camila. Não voltei a procurar Suzana no hospital como prometi, Camila se encarregou de sua alta e assim ela poderia voltar para o Rio. Tratei de comunicar a tia Sílvia e Lívia sobre nossa decisão, minha irmã estava radiante com o resultado do concurso da procuradoria, rompera o namoro com Afonso, mas estava bem.

Passava todo meu dia em casa trabalhando no meu projeto, as folgas que Camila conseguia, aproveitávamos para ver detalhes da cerimônia simbólica de nosso casamento, aceitamos a sugestão de Carmem, e faríamos na chácara da família dela, Vô Elias se ofereceu para presidi-la, o que aceitamentos imediatamente. Vitor veio deixar as chaves do apartamento e agradeceu a hospitalidade, não perguntei nada de Suzana, apenas o abracei e desejei boa sorte a ele e a irmã.

No final de novembro, estava agendada minha entrevista na embaixada dos EUA para a concessão do visto o qual Camila já conseguira, a essa altura o meu projeto da tese já fora aceito pelo orientador de Camila, o fato de ter ligação com a pesquisa de Camila, influenciou muito na aceitação. Viajei então para São Paulo, Camila não pôde me acompanhar, mas lá, Olívia me faria companhia.

Olívia, não estava mais namorando Cláudia, e estava arrasada com isso, voltara a sair com rapazes, mas confessava não ter o mesmo prazer que sentiu com o relacionamento com sua ex. Já havia concluído também sua residência em oncologia, se preparava para o concurso do Instituto Nacional do Câncer. Levou-me até a embaixada, e almoçamos lá perto mesmo depois.

Chovia muito em São Paulo, tive medo de voltar dirigindo para Campinas, liguei para Camila e ela concordou que não era boa idéia pegar a estrada com o temporal. Resolvi então dormir na casa de Olivia e partir no dia seguinte.

Minha amiga convidou-me para conhecer um espaço cultural no centro de São Paulo, uma espécie de bar-café, entendi que o público era GLS, e fiquei curiosa para ver o comportamento de Olívia lá, uma vez que nunca a vi em um ambiente assim sóbria. Era de fato um cenário muito agradável, várias mesas redondas dispostas em frente a um pequeno palco, lateralmente um balcão expondo diversos pães e doces e uma sequência de máquinas de café ao fundo do balcão. Na outra lateral um pequeno espaço de leitura com poltronas e algumas estantes e dois computadores.

Sentamos em uma das mesas, engrenando um papo descontraído, falava dos preparativos para o meu casamento animada, Olívia ria do castigo que Camila me impusera de não fazermos amor até o casamento, Lili apelidava-me de mulher aranha, dizendo ter medo de ser atacada por mim logo mais na cama dela. E nesse clima ameno, vimos a noite chegar em São Paulo. Olivia flertava descaradamente com várias meninas, eu ria divertindo-me da “gula” da Lili.


Vi adentrar no lugar, um rosto conhecido, apertei os olhos a fim de confirmar minha impressão, quando me assustei com o suspiro alto de Olivia:

- Ai não acredito! Pata que o paréu!

A exclamação de Olívia confirmou minhas suspeitas, Suzana estava ali, e dessa vez acompanhada, quando tentava discernir o rosto familiar da mulher que estava ao seu lado, lembrei, era Pietra, a ex-namorada de Laila.

- O que essa mulher está fazendo aqui? – Olívia estava irritada com Suzana depois do que lhe contei sobre o quase rompimento com Camila.

- Calma Lili, isso aqui é um point GLS pelo que tô notando, normal ela aparecer...

-Ai Isabela me poupe, essa criatura não mora no Rio? E quem é essa que está com ela?

- Ah Olívia, deve ter seus motivos pra estar aqui, e aquela é Pietra, ela é fisioterapeuta, lembra da Laila? Namorou com ela.

- Ai que deusa! Ela tá solteira?

- Sei lá Lili. – ri do olhar faminto dela acompanhando Pietra sentar-se junto ao balcão uma vez que não tinham mais mesas.

Suzana notou minha presença, sorriu, cochichou algo no ouvido de Pietra e caminhou em direção a nossa mesa.

- Mundo pequeno em Isa, você foge de mim e o universo conspira para nos encontrarmos. Oi Olívia.

Olívia só meneou a cabeça, fazendo cara de poucos amigos, ainda mais com o cumprimento de Suzana comigo.

- Oi Suzana, como vai?

- Isso é um pergunta médica ou só um hábito educado? – sorriu

- Depende, você está precisando de uma médica?

- No momento estou em reabilitação – apontou para Pietra.

- Bom que você esteja se recuperando, fico feliz.

- Camila como está?

- Bem obrigada.

- Já acertaram o casamento?

- Sim, será próximo mês antes de nos mudarmos para Boston.

- Que bom então... Cheio aqui hoje não é Olívia?

- Dias de quinta-feira o happy hour é sempre bem freqüentado, ficaram sem mesa não é?

- E’, chegamos tarde, com essa chuva o trânsito está pior.

Interessada em conhecer Pietra, Lili convidou Suzana para senta-se conosco, pelo jeito não entendeu o duplo sentido do comentário dela quando apontou para a fisioterapeuta, falando em reabilitação.

Pietra foi educada, mas demonstrou contrariedade por sentar na mesma mesa que eu, tentei ignorar sendo simpática, o que não adiantou em nada o clima embaraçoso. Na mesma mesa minha ex noiva que supostamente estava com a ex da minha ex... -Céus que *&&¨%$% é o mundo lésbico!- não sabia se a antipatia de Pietra era por causa de Laila, ou de Suzana, e viajando na maionese nisso tudo a faminta Lili, se insinuando para a fisioterapeuta sisuda.

- O que faz em São Paulo Isa?

- Entrevista na embaixada americana e você?

- Vim acompanhar a Pietra em uma conferência.

Só aí a Lili percebeu que as duas estavam juntas, a cara de decepção dela foi até cômica. Todo tempo ficava olhando pro meu celular, Camila me ligaria quando chegasse em casa, notei que celular novo de Suzana era igual ao meu quando os colocamos juntos na mesa. O papo estava animado, Suzana parecia relaxada na minha presença e eu na dela, não existia a tensão sexual que sempre regeu nossos encontros, parecíamos duas velhas conhecidas atualizando o papo, nem lembrei da promessa que fiz a Camila de não ter mais contato com ela, mas aquilo foi um acaso, não havia porque me sentir culpada. Pietra se entendia com Olívia, tanto que foram várias vezes ao balcão juntas, Lili estava de flerte com uma menina que estava sentada lá. A sós na mesa, Suzana puxou assunto:

- Isa eu não tive oportunidade de te pedir desculpas pelo que fiz no nosso último encontro, me excedi, sinto muito pelo que possa ter causado entre você e Camila.

- Não te dei oportunidade para se desculpar também Suzana, mas deixe isso no passado, ambas estamos seguindo caminhos diferentes, o importante é que você está viva, bem, agora tem que se cuidar viu doutora!

- Claro doutora, claro. De coração espero que você e Camila sejam muito felizes, percebi naquele beijo que o que nos restou até aquele momento foi uma atração, saudade de uma história mal resolvida...vocês se amam, isso está estampado, tive que reconhecer isso para seguir em frente, e ficarei bem.

Foi um alívio ter essa conversa rápida e tranqüila com Suzana, não havia mais cobranças nem mágoas entre nós. Estávamos todos de volta a mesa, quando um celular toca, reflexivamente Suzana atendeu:

- Alô, Suzana falando... Alô? Alô?

Suzana fez cara de interrogação, e disse:

- Estranho, tinha alguém do outro lado da linha, mas ninguém falou...

Senti um aperto no peito, olhei para o celular que Suzana colocava sobre a mesa...em segundos as peças se juntaram, coloquei minhas mãos sobre a cabeça, e as minhas lágrimas já davam sinais de surgir na minha face. Peguei o celular e vi a ligação, era Camila. Peguei o telefone imediatamente:

- Suzana, você atendeu meu telefone, era Camila!

- Isa desculpa não tive intenção... E...

Não esperei Suzana terminar a frase, levantei da mesa num supetão, afastando-me do barulho para ligar pra Camila. Não me atendeu como eu supunha. Voltei para a mesa catando minha bolsa, a avisei:

- Estou indo, Olivia preciso voltar pra Campinas agora!

- Isa pelo amor de Deus, é tarde, a chuva não parou, está mais perigosa ainda a estrada...

- Não adianta Olivia, estou indo.

A visibilidade da estrada estava péssima, parei várias vezes no acostamento, mas a possibilidade de ter mais uma vez estragado tudo com Camila me cegava mais. Demorei quase três horas, mas cheguei a Campinas, subi com o coração na boca, imaginando o que Camila estaria pensando de mim.

O apartamento estava vazio, nenhum sinal de Camila... Minha angústia só piorou, não esperei o elevador, desci as escadas correndo, nem sei dizer no que pensava eu só precisava encontrá-la.

Chovia torrencialmente em Campinas, mas nem me dei conta disso. Sabia que andando a pé pelo quarteirão não a encontraria, mas eu estava desnorteada, andei até uma loja de conveniências 24h, ensopada, parei diante da prateleira de chocolates, buscando lembrar qual sabor ainda não tinha dado a Camila, na minha cabeça se eu descobrisse o sabor preferido dela, era um sinal que tudo ficaria bem.

-AVELÃ! E’ isso! A cor dos cabelos de Camila!

Voltei para nosso apartamento, a um quarteirão de casa, andando pela chuva, ouvi o barulho de um carro se aproximando, parou do meu lado: Camila. Quando me dei conta, ela estava ali, na minha frente, na chuva, como eu.

- Cami... Eu vim pra te explicar... Não foi nada do que você possa estar pensando...

- Você não sabe o que estou pensando... Você é louca de vir dirigindo de São Paulo pra cá num temporal desses?

- Não podia deixar você pensar...

Meu ar começou a se travar no meu peito... Minha asma... Minha voz não saía mais, não lembro de mais nada, só dos braços de Camila me segurando quando caí sobre ela. Acordei no hospital, com uma máscara de oxigênio, e Camila dormindo ainda com os cabelos úmidos segurando minha mão.

- Cami...

Assustada, Camila acordou, ajeitando os cabelos, levantou e foi logo conferir meus sinais vitais.

- Cami...

- Shi... Fica quieta Isa, você tem que descansar.

- Mas... Cami eu...


- Isa... Descanse... Agora não é hora de conversarmos.

Não consegui decifrar o que o olhar e as palavras nas entrelinhas que Camila me direcionava... Só consegui enxergar a preocupação dela, o cuidado comigo. Durante a madrugada acordei várias vezes e Camila estava ali, do meu lado, em uma poltrona, e eu a olhava dormindo como sempre gostei de ver.

Ao amanhecer, não encontrei Camila na poltrona, ao invés dela, Bernardo estava de frente pra mim:

- Você não se emenda né Isabela cara de remela!

- Ai Bê... Cadê meu amor?

- Ela foi em casa, falou algo sobre ajeitar malas, sei lá, deve ter ido pegar roupas pra você.

- Ai meu Deus! Bernardo ela vai arrumar as malas pra ir embora! Ela vai me deixar!

- Ow Isabela, o que você roubou do carrinho de medicação? Quanto de morfina? Ou por acaso alguém te trouxe chá de cogumelo?

- Bê, a Suzana atendeu meu celular e...

- Quem? Isabela, estou com medo de você, acho que você injetou na veia coisa pesada!

- Bernardo me ajuda, me tira daqui, tenho que ir atrás dela, impedir que ela viaje sem mim...

- Aí cabou... Menina vocês se casam em dez dias, como que ela vai viajar sem você criatura?

- Cala a boca Bê! Vai me ajudar ou vou ter que carregar esse tubo de soro mostrando minha bunda nessa camisola pelo hospital?

Bernardo se assustou, apressando-se em atender minhas ordens, ficou por ali procurando uma roupa para que eu vestisse, mas não podia esperar mais, enfiei minha mão no bolso do jaleco dele pegando as chaves do seu carro, com uma mão segurei por trás a minha própria camisola e saí correndo pelo hospital em direção ao estacionamento. Nem me importei com todos os olhares para mim dos pacientes, colegas e funcionários, nem dei tempo aos seguranças me alcançarem, nem sei como minha asma não me atacou de novo, Bernardo corria atrás de mim, deixando escapar nos seus movimentos uma pluma, espalhando purpurina...no nervosismo ele deixava vir a tona sua identidade secreta...

Entrei no carro de Bernardo com a agilidade de um fugitivo de filme policial americano, mas como era de se esperar a trapalhona deixou as chaves caírem no piso do carro, assim acabei ficando com o bumbum na janela do carro pro espanto de Bernardo que chegava com os bofes pra fora, ouvi as batidas no vidro da janela, ao me virar vi o coitado se apoiando no carro para ninguém mais ver aquela cena decadente:

- Bicha dá pra tirar esses glúteos da janela do MEU carro, e me dar uma explicação decente pra essa cena de gaiola das loucas?

- Bê te juro que conto tudo, mas agora preciso que você me leve pra casa!

Bernardo não questionou, fez sinal pra que eu me afastasse, pro banco do carona, com cara de nojo pra mim e dirigiu para minha casa. Ele andava atrás de mim mais preocupado com meu bumbum exposto do que eu. Bati na porta ansiosa, já que não tinha minhas chaves. Nossa diarista Selma atendeu assombrada com minha pressa em adentrar em casa exibindo meu bumbum pela abertura da camisola.

- Selma a Camila está aqui?

- Não doutora, ela foi pra chácara da mãe, disse que tinha algo a fazer lá.

- Bernardo, vamos pra chácara.

- Isaaaa alouuu, você vai desse jeito? Não há tempo, deixa de ser puritano, até parece que você nunca viu minha bunda!

- Ow bicha baixa... A essa altura Campinas inteira já viu nem tem mais graça...

No caminho até a chácara, fui contando tudo a Bernardo, que me dizia:

- Bicha... Tu colou chicle na mesa da santa ceia, só pode...eita encosto...chuta que é macumba!

Passamos em frente a uma doceria e eu gritei:

- Páraaaaa Bernardo!


Meu amigo freou num reflexo instantâneo, fazendo os pneus cantarem, marcando o asfalto, gritou com um agudo engraçado:

- Que foi bicha? Quem morreu?

- Bê, desce aí, compra um chocolate com avelã pra mim é urgente!

- Tá desejando Isa? Como que Camila conseguiu te engravidar? Pior, sem sexo né? – zombou de mim ganhando um tapa seguro nos ombros.

Mas não titubeou, obedeceu-me. E continuamos nosso trajeto. Carmem estava no jardim da frente, e logicamente arregalou os olhos ao me ver com os cabelos bagunçados e vestida naqueles trajes, qualquer um pensaria que eu era fugitiva de uma clínica psiquiátrica.

- Carmem... Cadê Camila?


- Minha filha o que aconteceu com você? – Carmem olhava para Bernardo com uma interrogação na testa.

- Carmem, a Camila, onde ela está?

- Calma Isabela, ela passou direto pra estufa, nem falou comigo.

Saí correndo pela grama, em direção à estufa, cheguei ofegante, procurando Camila em meio aquelas centenas de espécies de plantas, flores, rosas. Avistei os cabelos cor de avelã de Camila, ao fundo, estava agachada, mexendo em um jarro. No canto da prateleira nosso anel, gelei, imaginando: “pronto, ela vai terminar tudo”. Aproximei-me, e abaixei-me onde ela estava agachada, atravessando seu corpo, depositei ali no jarro, que ela mexia, o chocolate de avelã que pedi a Bernardo para comprar.

- Avelã...é esse o seu preferido não é?

Camila virou-se imediatamente, sorriu discretamente, e balançou a cabeça positivamente.

- Cami você não entendeu nada, o telefonema... Foi por acaso, a Suzana estava até com a namorada dela lá, a Pietra, que namorou a Laila, ai, você nem lembra quem é Laila né? Mas é, nossos celulares, são iguais, ai tô misturando tudo... Não me deixa por favor meu amor, pega esse anel daí pelo amor de Deus não me deixa, juro que não fiz nada...
Camila deixou escapar um sorriso me interrompendo daquela avalanche de palavras desconexas:

- O que você está fazendo aqui sua louca? Isabela você fugiu do hospital? Como que você chegou aqui?

- E’ que Bernardo falou que você ia fazer as malas, e saiu sem se despedir de mim, não tava em casa, e chego aqui o anel fora de sua mão...

- Ei menina! Calma... Acho que te deram medicação que não autorizei...

- Cami... Por favor... Não me deixa...

- Isa... Tirei o anel, pra não correr o risco de perdê-lo na terra, ele está folgado esqueceu? Não te deixei, liguei pra Bernardo pedido que ele ficasse com você, porque precisava mexer cedo nessas mudas aqui.

- Mas e ontem...?

- Eu realmente fiquei chocada quando Suzana atendeu seu telefone, imaginei mil coisas, mas eu ia esperar você chegar para ouvir de você as explicações, e antes que eu pensasse qualquer outra coisa, a própria Suzana me ligou, explicando tudo, agradeceu-me por salvar a vida dela, e por isso não ia deixar que eu estragasse a minha com um grande mal entendido...

- Mas porque você não me falou nada ontem a noite?

- Eu fui te tirar da chuva sua doida! Fui em casa não te encontrei mas vi seu carro na garagem, saí dirigindo preocupada quando o porteiro falou que você tinha saído a pé! E aí quando te encontrei, você já chegou falando coisas sem nexo, só pude te segurar e levar pro hospital!

- Cami... Eu não acredito...

Sorri sem graça pensando em todo papelão que prestei...quando fui tomada de susto por um grito de Camila:

- ISABELA BITENCOURT VOCÊ VEIO DESFILANDO SUA BUNDA ATE’ AQUI?

Não resisti caí no riso, recuperando meu fôlego, enquanto Camila me abraçava, limpando as mãos sujas de terra na minha camisola.

- Onde é que eu vou amarrar meu burro? Vou casar com uma doida de pedra, atrapalhada, asmática, e uma tentadora do pudor!

Sorriu divertida, enquanto me beijava os lábios, andou dois passos atrás ainda me segurando, pegou nosso anel na prateleira, o beijou e recolocou no seu dedo.

- Agora vamos minha criança maluquete... Vestir uma roupa decente antes que minha família me interdite por eu casar com você... E ah! Parabéns, acertou meu chocolate... Já pode mesmo ser minha mulher!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

COMO SOBREVIVER AO FIM DE UMA RELAÇÃO LÉSBICA



Não interessa quem deixou quem: sobreviver ao final da relação, seja de namoro ou até de casamento, é usualmente uma fase complicada de superar. Por vezes pode surgir um pouco de vazio e até de desespero, mas sabe uma coisa? Você vai conseguir!

Este é um processo que pode demorar até 1 ano… Ficam aqui alguns conselhos para a ajudar a superar o fim da sua relação.

Aceite o que aconteceu
O choque pode fazê-la pensar que isto não poderia ter acontecido, ou que nem acredita que isto aconteceu, ou até que amanhã estará tudo igual, mas o melhor é mesmo aceitar o que aconteceu. Quanto mais depressa aceitar o que lhe aconteceu, e acreditar que foi de vez, mais depressa estará pronta a sarar a ferida.

Afaste-se da sua ex
É normal sentir-se zangada com a sua ex – esta é a segunda fase da rutura da relação. Nesta fase é boa ideia afastar-se da sua ex, se ainda não o tinha feito. Por vezes, devido a circunstâncias como viverem numa casa conjunta, terem os mesmos amigos, terem filhos em conjunto, etc., é comum que mesmo depois da separação vivam juntas ou convivam bastante. Mas, especialmente nesta fase, deve evitar conviver com a sua ex. E, acima de tudo, evite perguntar a amigos sobre ela, especialmente sobre como é a sua nova namorada. Separe-se mesmo, e aproveite para ter uma nova visão da vida. Isto acima de tudo evita que se auto torture!

Procure ajuda
Procure o apoio junto dos seus amigos, e não dos amigos em comum. Nesta fase é necessário ter uma voz amiga reconfortante e que esteja do seu lado, e isso só é possível com amigos que sejam apenas seus amigos, e não de ambas. Este amigo será o ideal para lhe dizer que é uma boa pessoa e que está melhor desta forma: isto é o que precisa de escutar nesta altura.

Sinta-se triste mas não deprimida
É normal que se sinta triste com a separação: é normal chorar e sentir pena de si. Contudo, se começar a sentir-se deprimida e não apenas triste, está na hora de dizer STOP, e de começar a pensar em si. Se perceber que está a demorar muito tempo a passar esta fase de tristeza, então procure a ajuda de um profissional, pois por vezes uma separação pode deixar qualquer uma de nós a sentir-se fragilizada e pior: deprimida. Dê-se o tempo necessário para chorar, mas esteja atenta para que este tempo não se estenda demais.

Não se deixe ressabiar
Logo com a separação vem quase sempre a tristeza, e é normal chorar, e dizer mal da ex, e até dizer que não vai querer mais ninguém de agora em diante. Porém, isto tem de durar durante um período de tempo saudável para depois começar a reconstruir pouco a pouco a sua vida, porque ao final de no máximo 1 ano de tristeza, está na hora de enxugar as lágrimas e começar a abrir o seu coração ao mundo. Se assim não for, está mais do que na hora de procurar ajuda profissional.

Termine de vez
Diga à sua ex tudo que necessita de dizer e a partir desse momento encerre o assunto. Nada de ficar a pensar no que deveria ter dito, ou no que ainda lhe vai dizer. Se mesmo assim sentir que tem de lhe dizer algo, escreva uma carta à pessoa, leia-a em voz alta e coloque-a no correio sem remetente, nem destinatário. Desta forma sentirá que disse o que queria, e que as suas palavras foram embora com as cartas.

Não tente ficar amiga
Nada contra depois de uma relação, as duas pessoas ficarem amigas, mas a verdade é que nesta fase de pós-separação isso não é de todo boa ideia. Mais tarde poderá ser uma realidade, mas nesta altura não se iluda dizendo que são só amigas. Isto só prolongará sentimentos de tristeza e tentativas de aproximação que poderão ser frustradas e fazer arrastar ainda mais a situação. Está na hora de viver a sua vida!

Diga o que vai na sua alma
Pode fazê-lo através de uma forma mais dramática e funcional: escreva um livro, uma música, tire fotografias, vá diariamente 2 horas ao ginásio, deixe sair de si toda a frustração e tristeza que o término de uma relação pode provocar.

Avalie-se
Comece a fazer uma autoavaliação, não punitiva, mas para perceber o que pode mudar em si, e como poderá, deste momento em diante, ser melhor pessoa e melhor companheira numa próxima relação. Não se culpe por nada, este sentimento em nada ajuda a sarar. Em vez disso, identifique os seus pontos menos positivos na relação e interiorize a mudança necessária para que na próxima relação esteja mais atenta aos problemas e tenha uma maior capacidade de os resolver.

Aproveite para ser melhor
Tal como diz o ditado, que o que não nos consegue destruir consegue tornar-nos mais fortes – também se aplica a este tipo de situação. Esta é uma oportunidade de se tornar mais forte e, por consequência, ainda melhor pessoa do que já é.

Esqueça
O tempo tudo cura, e as relações terminadas beneficiam do suavizar do tempo. Em breve tudo vai passar e como não pode fazer um fast foward, saiba que daqui a tempos, nada disto será tão vívido e tão recordado. Uma coisa é garantida: tudo vai passar.

FONTE:LETRA L.COM
* Post dedicado a mim mesma.


domingo, 12 de junho de 2011

Feliz Dia das Namoradas!

Romantismo está no ar hoje não é meninas?
Pra quem está devidamente namorada hoje, curtam o clima da data (apesar de ser puramente comercial, tudo serve de desculpa para demonstrações explícitas de amor!), papariquem, mimem, façam surpresas fofas para suas amadas, ou simplesmente passem o dia agarradinhas, dependendo da região do país, debaixo do edredom ou sem roupas na cama rsrs.Não percam a oportunidade de deixar claro o carinho por quem vocês amam! O efeito é maravilhoso, até pra pele...kkkkkk

E para as demais solteríssimas, quem disse que precisa passar o dia em branco? Comemore a data de qualquer jeito!Como vi em uma comunidade no orkut:E daí se eu passar o dia dos namorados sem namorado(a)?Eu também não passo o dia do índio com um índio(a), nem o dia da árvore com uma árvore.muito menos o dia de finados com um defunto.
kkkkkkkkkkkkkkk
Portanto meninas, vão à luta! Paquerem, curtam a noite dos solteiros... Com tanto romantismo no ar, tudo pode acontecer!

Eu e meu amor comemoramos com tudo que tínhamos direito, né amor? Amo você demais minha vida!

Escolhi um vídeo fofo pra vocês se derreterem um pouco mais com nossos casais da TV e cinema preferidos.A musiquinha, bem, pode soar piegas(pow Mel, Jonas Brohthers?), mas a data permite rs, esse trecho em especial é pra você meu amor:

Quando você me olha nos olhos
E diz que me ama
Tudo fica bem
Quando você está aqui do meu lado

Quando você me olha nos olhos
Eu vejo um pedaço do céu
Eu encontro meu paraíso
Quando você me olha nos olhos

Quanto tempo vou esperar
Para ficar com você de novo?
Direi que te amo
Da melhor maneira que eu puder

Não aguento um dia
Sem sua companhia
Você é a luz que faz
Minha escuridão desaparecer


Beijos a todas!

SOCIEDADE SECRETA LESBOS - VIGÉSIMO SEXTO CAPÍTULO

Capítulo 26



À porta da mansão, o casal continuava no clima de romance, trocavam afagos e sorrisos, quando foram surpreendidas por uma voz feminina vinda do jardim da casa:

-- Amy Anderson! Você pode me explicar o que está acontecendo aqui?

A reação de Amy foi instantânea ao reconhecer quem lhe abordara. Empalideceu, as suas mãos gelaram, e a voz quase que inexistente murmurou:

-- Mam... Mãe?

-- A própria! Nem sua mãe você reconhece mais?

Amy soltou a mão de Esther imediatamente e correu para os braços daquela senhora elegante. Seu rosto lembrava muito o de Amy, especialmente os olhos e a boca. Trajava um vestido sofisticado, cabelos presos em um coque, sem dúvida, uma bela mulher. Meio sem vontade, ainda visivelmente contrariada por encontrar sua filha naquele cenário, a mãe de Amy retribuiu o abraço.

-- Mãe, por que a senhora não me avisou que viria aqui?

-- Porque, teoricamente, seria uma surpresa de aniversário, mas quem se surpreendeu fui eu, ao procurar você na Casa Beta-Lou e saber pela irmã presidente que você sequer se inscreveu para seleção, e que agora era uma Gama-Tau! Ora, Amy, o que foi que ficou combinado ao você ser aceita em Prescott, mocinha?

-- Mãe, desculpa, sei que era a fraternidade da senhora, mas não tem nada haver comigo mãezinha, me identifiquei mais com a Gama-Tau...

-- Identificou-se? Que absurdo, Amy! Você não é...

-- Não sou o que mãe?

-- Você não é... Como elas...

-- Como elas? Mãe, sou uma Gama-Tau. O que eu não sou? Divertida? Amiga? Popular?

-- Amy... Não dificulte as coisas... Nós vamos sair daqui agora, e vamos à Beta-Lou. Vou usar de minha influência como antiga presidente, pra elas aceitarem você lá. Vamos, depois saímos pra jantar e comemorar seu aniversário...

-- Não, mãe, para! Não vou a lugar nenhum! A Gama-Tau foi minha escolha, lutei pra entrar aqui e não vou sair só para agradar a senhora, sinto muito...

-- Lutou? Então, você teve que cumprir as tais tarefas?

-- É, mãe, só há essa forma de ingressar nessa fraternidade...

-- Meu Deus... Que castigo é esse comigo?

Esther assistia a tudo calada, igualmente nervosa e pálida, mas manteve-se em silêncio, observando com atenção os gestos daquela mulher, sua expressão, e cada palavra daquela discussão, sem qualquer reação. Seu transe se encerrou quando Amy se aproximou dela apresentando-a:

-- Mãe, para de drama, vai... Vem cá, quero que você conheça uma pessoa: essa é a presidente da Gama-Tau, Esther Gonzalez, Esther, essa é Sandra Anderson, minha mãe.

O olhar de Esther e Sandra se cruzou imediatamente, ao ouvir o sobrenome Gonzalez, a mãe de Amy, que já estava abalada em encontrar a filha naquela fraternidade, deixou transparecer pavor, especialmente ao notar aqueles traços latinos tão familiares.

-- Gonzalez?

-- É, senhora, muito prazer, Esther Gonzalez.

A morena foi seca, estendeu a mão com o olhar desafiador, como se quisesse falar através deles, que o nome Sandra Anderson também não lhe era estranho. Sandra, por sua vez, atônita, não conseguia esconder seu desconforto diante de Esther. Não retribuiu o gesto da morena, deixou apenas escapar quase que um sussurro:

-- Isso não pode estar acontecendo...

-- Mãe! Essa é a educação que os Anderson tem? Esther está falando com a senhora!

-- Amy, isso tudo é absurdo. Vamos pra outro lugar, vamos conversar, e não será na frente de estranhos...

Sandra não escondia seu mal estar diante do olhar fixo de Esther, Amy parecia ignorar o clima pesado entre as duas, mas foi firme:

-- Mãe, a Esther não é uma estranha, e aqui é minha casa, somos todas irmãs de fraternidade, minha família aqui no campus, esqueceu? Não vamos a lugar nenhum, a senhora quer conversar, então ótimo, aja como uma dama que a senhora é, venha conhecer minhas irmãs e ser educada com todas, afinal hoje é meu aniversário...

--Amy... É melhor vocês conversarem a sós, toma a chave do Studio, você pode entrar pelas escadas laterais externas, não precisa entrar na mansão... Depois se sua mãe desejar, você a traz para conhecer a nós todas, mas saia pelas escadas laterais e entre pela porta principal. Você sabe que não é permitido pessoas de fora da fraternidade conhecer os outros andares da casa...

Amy concordou, e quase que por impulso beijou a face de Esther, e chamou sua mãe para acompanhá-la:

-- Vamos, mãe?

-- Entrar nessa casa... -- Sandra manifestou seu desgosto, quase pânico de entrar na mansão Gama-Tau.

-- É minha casa, mãe... E se a senhora que falar comigo, tem que ser aqui. Esther está sendo muito gentil permitindo isso, é uma exceção que ela está abrindo só porque é pra mim, não é, Esther? -- Amy deu uma piscadela para Esther que sorriu amarelo.

-- Isso é completamente absurdo, nunca imaginei sofrer tamanha decepção com você, Amy!

-- Ok, vamos subir, aí a senhora termina esse melodrama...

Esther acompanhou somente com os olhos mãe e filha subindo as escadas externas da casa, ainda sob a emoção daquele encontro inesperado. Ficou cara a cara com o alvo de sua vingança, um misto de memórias e sentimentos vieram à tona, fazendo com que a morena concluísse que não estava preparada para aquele momento. Era necessário um momento para ela se recompor e não denunciar sua ligação com a mãe de Amy. Entrou na mansão, as demais irmãs as aguardava para dar início à festa surpresa. Se surpreenderam ao ver a presidente entrando sozinha. Laurel logo a abordou:

-- Onde está Amy? O que você fez com ela, Esther?

O tom preocupado de Laurel surpreendeu a todas, especialmente pela entonação agressiva da ruiva, incomum quando se tratava de se dirigir à presidente da Gama-Tau. Laurel, no entanto, não se intimidou com a expressão de Esther e seguiu perguntando:

-- Fala, Esther... Cadê a Amy?

-- Calma, Laurel, ao contrário do que você pensa, não fiz nada com ela. A mãe de Amy estava aguardando-a aqui na frente, saíram pra conversar, mas ela vem daqui a pouco...

A ruiva respirou aliviada, mas sem graça por ter sido impertinente com Esther. Rachel, ao contrário, não ficou nada aliviada, apreensiva aproximou-se de Esther, perguntando:

-- A mãe de Amy viu vocês chegando juntas? Você falou com ela?

-- Sim, Rachel... Viu... E sim, falei com ela. Na verdade, só eu falei, porque a perua simplesmente me ignorou... Mas tremeu quando ouviu meu sobrenome...

No estúdio, Amy e sua mãe iniciavam uma conversa tensa, especialmente para Sandra, que olhava para aquele lugar como se fosse familiar, atentava para cada detalhe, e pensou alto:

-- Isso aqui está muito diferente...

-- Anh? Diferente? Então a senhora já conhece esse estúdio?

-- Quis dizer que é diferente do que eu pensava...

--Ih, mãe... Essa cara da senhora está esquisita... A senhora está me escondendo algo...

-- Escondendo nada, menina! Quem me escondeu algo, foi você! Quando você pretendia me contar que estava nessa fraternidade de...

-- De o que, mãe? Fala! A senhora não é mulher de reticências, por que todo esse escarcéu por eu não ter entrado na fraternidade que a senhora queria? Sempre me orgulhei de ter uma mãe que respeitasse minhas escolhas, por que isso agora?

-- Amy, porque essa escolha que você fez foi totalmente errada! A Gama-Tau não é para uma Anderson, especialmente para você!

-- Por que, mãe? O que a senhora sabe da Gama-Tau?

-- O que todos no campus sabem, Amy... Que as meninas quentes de Prescott só sabem dar festas, são cheias de rituais secretos, e o principal são... Você sabe...

-- Lésbicas? É isso, mãe?

Sandra Anderson paralisou, arregalou os olhos para a filha, engoliu seco e respondeu desviando o olhar, mexendo na sua bolsa Mark Jacobs:

-- É isso aí mesmo que você falou... Um absurdo, você não é isso!

-- Mãe, não era assim que eu pretendia ter essa conversa com a senhora, mas eu sou...

Sandra mais uma vez arregalou os olhos para a filha, interrompendo-a:

-- Não conclua essa frase! Você não é isso!

-- Mãe, sou uma Gama-Tau, sou lésbica e estou apaixonada!

1ª temporada- Porque sei que é amor: Capítulo 27: Consequências

Foi difícil deixar Suzana naquela noite, meu coração apertava pela ânsia de saber que estava de fato tudo bem com ela. Camila estava exausta, tratei de cuidar dela, ela merecia, mais uma vez salvara a vida de Suzana com seu brilhantismo. Em casa preparei- lhe um banho, escolhi um pijama leve para ela usar, enquanto ela tomava banho, avisei a Vitor, Lourdes e Helena sobre o sucesso da cirurgia de Suzana, falando com orgulho do feito de Camila.

Preparei- lhe um lanche, o que a comoveu, uma vez que minhas habilidades culinárias consistiam em ligar pra qualquer delivery... Levei na bandeja pro quarto: suco, biscoitos, um sanduíche de ricota. Comemos juntas na cama, sem qualquer pressão em dizer algo, não precisávamos de muitas palavras para demonstrar carinho, estava tudo no nosso olhar. Deitamos juntas vendo qualquer programa na TV e assim Camila adormeceu nos meus braços.

Na manha seguinte Camila não trabalhava, pediu folga para acertar detalhes de seu projeto da tese do PhD, deixei-a em casa com a promessa de almoçarmos juntas, depois ela iria avaliar Suzana, que deveria manter-se em coma induzido. No hospital o irmão e as amigas de Suzana já me aguardavam, providenciei para que um de cada vez entrasse na UTI para ver Suzana.

Suzana evoluiu bem, assim no dia seguinte, providenciamos o desmame do ventilador mecânico e diminuição dos sedativos. Em algumas horas ela despertava, a equipe intensivista avisou imediatamente a Camila que apressou-se em avaliar o quadro pós-operatório de Suzana.

Para nossa satisfação, ela respondeu a todos os reflexos, falava com alguma dificuldade, mas isso podia ser por conta da desorientação. Mantivemos Suzana na UTI, os exames laboratoriais apresentavam algumas alterações importantes, provavelmente por causa do Lupus, a debilidade do organismo por conta da cirurgia influenciou algumas taxas comprometendo especialmente os rins e fígado.

Sempre que podia a visitava na UTI, nas vezes que a encontrava desperta, incentivava Suzana a falar sempre perguntando sobre seu estado. Ela me respondia automaticamente, notava seu olhar triste, sem vida. Uma semana depois da cirurgia, depois de já estar sendo acompanhada por um reumatologista de renome especialista em Lupus, Suzana foi transferida para o quarto, e assim, não pude fugir de uma conversa com ela.

- Isabela, eu posso esperar alguma coisa de você?

- Suzana, você tem que se preocupar com sua saúde agora.

- Por favor, não desvie o assunto, eu continuo esperando uma razão pra seguir esse tratamento, que você sabe que não terminará nunca...

- Não vamos falar nisso agora, por favor.

Suzana em um ato quase que de desespero, arrancou do braço os acessos para medicação, levantou- se e segurou meu braço com força, tentei fugir de seus olhos mas eles me prenderam, sem mais demoras Suzana puxou meu pescoço e me beijou com toda paixão guardada por todo esse tempo.

Não tive outra opção que não fosse me render, sentia falta de sua boca, sentia falta do seu corpo, mas o beijo não me trazia as mesmas sensações que experimentava quando estávamos juntas. Existia desejo, mas não aquele sentimento de plenitude que me tomava quando estava nos braços de Camila. E o que mais temia não pude evitar, Camila entrou no quarto surpreendo- nos com nossas bocas coladas, nada falou, fechou a porta com a mesma mão que abrira, seu olhar imediatamente brilhou, meu coração apertou, feri alguém que nunca me deu outra coisa que não fosse amor.

- Isso não podia ter acontecido! –vociferei com a voz embargada.

- Isa eu não queria que ela tivesse visto isso e...

- Você não tinha esse direito, Suzana...

Saí pelos corredores em busca de Camila, com a alma aos pedaços por ter certeza do quanto ela estava magoada comigo, sentia um medo que me sufocava, não podia perder Camila. Não a encontrei, e meu desespero ia aumentando, dispensei as consultas da tarde por falta de condições em me concentrar em qualquer coisa. Camila desligou o celular, não estava em casa, nem na casa da família, em nenhuma parte do hospital. Eliza sua secretária procurava- a em toda parte também, desmarcou suas consultas e reuniões visivelmente preocupada com o sumiço de sua chefe.

Fui para casa, na esperança de encontrar Camila lá. Em pouco tempo ela chegou, olhos inchados, pela primeira vez em um ano e meio, não vi o brilho do verde de seus olhos, Camila parecia transtornada, olhou-me com mágoa profunda, retirou do bolso nosso anel, colocando sobre a mesa de jantar.

- Arrume suas coisas Isabela, você tem até amanhã pra deixar minha casa.

- Cami... Por favor não faz isso... – eu soluçava me atirando aos pés dela. - Perdoe-me, eu te amo, aquilo não significou nada.

- Isabela me poupe dessa cena.

- Cami...

- Tudo tem limite, você ultrapassou todos. Eu vi Isabela, não foi um beijo forçado.

- Mas...

Eu não tinha argumentos, Camila estava certa em tudo, como quase sempre. Sentei no sofá tentando me refazer, como doía ver o sofrimento dela, como doía minha culpa por perdê-la, cheguei a odiar Suzana por esse beijo, senti-me desnorteada, sem chão, fui despertada daquela inércia com o barulho de coisas quebrando, vindo do nosso quarto, agora quarto de Camila.

Abri a porta do quarto, Camila estava lançando tudo na parede, porta-retratos, jarros, quadros, parecia que o tsunami passara pelo quarto, os travesseiros estavam rasgados, cortinas no chão... Camila chorava descontroladamente sentada ao chão coberto por vidros.

- Cami meu amor...

- Isabela por favor, sai da minha frente, some daqui.

O olhar de decepção de Camila para mim, me rasgou por dentro. Saí dali me sentindo a última das pessoas, como pude magoar assim a mulher que eu amava? Não provoquei o beijo, mas também não tive coragem de rejeitá-lo, nem tampouco de tirar de vez as esperanças de Suzana. Não podia voltar para meu apartamento, Vitor estava lá, dirigi sem rumo, até chegar a porta do meu antigo prédio, subi para o apartamento de Bernardo e caí nos braços dele num choro incontido.

- Minha amiga o que houve?

Não conseguia falar, Bernardo foi andando abraçado comigo, sentou- me no sofá, trouxe-me um copo de água com açúcar, sentou em um puf à minha frente, esperando que eu tomasse fôlego, meu ar parecia travar, minhas palavras não faziam sentido, na minha cabeça a imagem de Camila chorando no meio de cenário de destruição que nosso quarto se transformou.

- Isa, eu estou aqui se você quiser falar, se não quiser, também estou aqui do seu lado tá?

Caí nos ombros de Bernardo como se quisesse simplesmente só desabar.

- Eu a perdi Bê...

- Ow minha linda... O que aconteceu?

- Perdi meu amor, Bê...

- Isa... O que houve minha amiga? Nunca te vi assim.

Fui contando tudo o que havia acontecido em meio a lágrimas, Bernardo pediu- me calma, e que desse um tempo para Camila se acalmar, e aí conversaríamos, acabei caindo no sono no colo de Bernardo exausta de chorar. No dia seguinte, acordei na cama dele, não me acordou, já passava das 8H, estava atrasada, mas Bernardo tratou de ligar pro hospital avisando que me atrasaria. Minha primeira preocupação era saber de Camila, tentei ligar, mas seu celular continuava na caixa postal, Bernardo confessou- me que falei o nome dela a noite toda, me angustiava, chegava a sentir fisicamente o aperto no peito lembrar o estado em que deixei Camila.

Não passei em casa, nem ao menos tomei o café que meu amigo me preparou, lavei o rosto, prendi meus cabelos, e segui para o hospital, precisava falar com Camila, deixar claro o que sentia por ela e que Suzana não significava tanto o quanto pensava para mim. Não a encontrei no seu consultório, encontrei Eliza no corredor e apressei- me em perguntar- lhe:

- Eliza, onde está Camila?

- Dra. Isabela, eu...

- O que Eliza? Eu preciso falar com ela, por favor não me esconda...

- Doutora, eu sinto muito, tenho ordens expressas dela de...

- Eliza, por favor, eu estou desesperada, me ajuda!

- Doutora, ela viajou cedo para São Paulo, para tentar adiantar na embaixada, o visto para a viagem aos Estados Unidos.

- Adiantar? Mas a entrevista foi marcada para o próximo mês só...

- Ela me pediu hoje bem cedo para passar para o Dr. Marcos, todas as suas consultas, e algumas cirurgias, ela pretende ir para Boston até o final do mês.

Não consegui evitar, as lágrimas pareciam brotar como uma fonte de água, encostei minha cabeça contra a porta, Eliza olhou- me com compaixão, segurou meu ombro e disse baixinho:

- Doutora Isabela, no fim tudo dá certo, se ainda não deu certo, é porque ainda não é o fim. Li isso em algum lugar, e acredito na verdade dessas palavras.

Meneei a cabeça esforçando- me para abraçar qualquer esperança que me aproximasse de Camila novamente. Saí andando cabisbaixa pelos corredores em direção ao meu consultório, encontrando Vitor que avançou para me abraçar como era de costume:

- Ei minha doutora linda, não dormiu? Estava de plantão?

- Oi Vitor, não estava de plantão, só não dormi bem, sua irmã está bem?

- Sim, meio calada, isso não é normal – sorriu.

- Ah, eu tenho que ir Vitor, desculpe-me.

- Não vai passar pelo quarto dela?

- Não posso, estou com a agenda cheia.

Despedi-me dele e fui andando com meus pensamentos perdidos, eu parecia andar no automático, era notório meu abatimento, não queria ver Suzana, não suportaria vê-la, sei que associaria imediatamente ao sofrimento que causei a Camila e consequentemente a mim. Atendi os pacientes marcados, e a cada intervalo, ligava para Camila, sem êxito nas minhas tentativas de falar com ela. Não almocei, na verdade não saí do consultório o dia todo, no final da tarde, Eliza foi ao meu encontro com uma informação:

- Doutora, ela está em casa, acabou de chegar.

Não esperei sequer Eliza concluir o pensamento, saltei da cadeira, procurando a minha bolsa, nem tirei o jaleco, corri para o estacionamento para seguir ao encontro de Camila em casa. Ela estava sentada no sofá, nosso anel ainda estava sobre a mesa, onde ela deixou na noite anterior. Olhou para mim, e baixou os olhos em seguida, caminhei devagar com as mãos no bolso da calça, ficando na frente dela, com os olhos marejados. Camila estava tão abatida quanto eu:

- Veio pegar suas coisas?

- Camila, eu preciso conversar com você.

- Você pode precisar falar, mas eu não preciso te escutar, não mais, não preciso mais atender suas necessidades Isabela, isso é função de Suzana agora.


- Não fala assim comigo meu amor, Suzana não tem função nenhuma na minha vida.

- Mas você tem na vida dela e ao que me parece, você está desempenhando com maestria.

- Camila, acredita em mim, eu te amo, realmente Suzana não me beijou a força, mas não senti nada no beijo, é com você que eu quero ficar.

- Isabela desde que essa mulher voltou pra sua vida, ela te cerca, ela te confunde, te sensibiliza, e você arrisca isso que a gente tinha Isa! Deixando- se envolver, ela não é uma qualquer, e você me obrigou a engolir isso esses meses Isa, compreendendo tudo... O beijo que vi foi só uma confirmação do estrago que a presença dela nos trouxe, nossa relação não resistiu a sua ex, como que a gente pode casar?

- Eu nunca tive tanta certeza de algo na minha vida como tenho de que quero passar o resto da minha vida com você Cami...

- Não Isa, você não tem...

Camila chorava com uma mágoa que corroia meu coração, parecia que eu esgotara todas as minhas chances com ela.

- Camila, me dá uma chance... Não desiste de mim...

Beijei nosso anel, segurei suas mãos e continuei falando:

- Isso é sagrado pra mim Cami, isso que nós temos é sagrado pra mim, não me deixa...

Camila estava frágil, queria abraçá-la e convencê-la da minha verdade, dormir junto dela e acordar desse pesadelo, mas ainda via uma magoa profunda no verde de seus olhos.

- Isabela, não consigo te olhar... Não consigo acreditar no que você me diz, parece que você quebrou algo dentro de mim, não sei como reconstruir.

- Deixa que eu tente... Me dá essa chance...

Nesse momento levantou-se do sofá, segurou sua nuca, caminhando até a mesa de jantar onde nosso anel ainda estava, segurou, fitou-o por alguns segundos, me deixando ansiosa a cerca de cada movimento que ela executava diante de mim.

Aqueles segundos pareciam uma eternidade, aproximei-me dela, segurei o anel e coloquei no seu dedo, beijando-o em sua mão.

- E’ aqui que ele deve ficar meu amor, eu quero que você seja a minha mulher, e eu a sua.

Camila derramou uma lágrima olhando para nossas mãos unidas, e abraçou-me depois de um longo suspiro, desabando em meus braços, me trazendo alento e paz de volta, era ali que eu tinha que estar, era ali o meu lugar, junto a Camila.

- Isa eu não vou agüentar outra decepção, eu quero ir embora com você daqui o mais rápido possível, não quero mais Suzana entre nós.

- Vamos quando você quiser, você conseguiu adiantar o visto?

- Ahhh Eliza!

- Ai desculpa amor não briga com ela não, praticamente coloquei um bisturi na jugular dela pra ela desembuchar...

Camila enxugou as lágrimas, sorriu, mas voltou a seriedade para me falar:

- Isabela não vai ser fácil você recuperar minha confiança, ainda estou muito magoada, não sei se posso te pedir isso, mas não quero que você tenha mais contato com Suzana, qualquer decisão médica que ela precise, serei eu a responsável, você trate de terminar seu projeto da tese do mestrado e adiantar seus pacientes...

- Isso quer dizer que nós vamos ainda esse ano para Boston? – disse-lhe já descendo minha mão por dentro de sua calça.

- Isso quer dizer, que a senhorita vai ter que ralar muito pra ter esse corpinho na sua cama de novo... Vai mergulhar nesses afazeres, porque sexo comigo agora só depois de casada Isabela Bitencourt! – deu-me um tapa na mão, forçando a retirada dela entre sua calcinha.

- Au Cami!

- Falando sério Isabela, preciso de um tempo, ainda me dói muito lembrar do que eu vi, do que senti... Eu te amo, tanto que nem te pediria nada em troca... Mas se eu posso esquecer meu passado pra viver um futuro e um presente com você, acho que você também pode fazer isso.

- Justa como sempre... Você só me pede o que pode me dar não é?

- Isso... Agora você... Trate de tomar um banho, você está fedendo! – Camila riu depois de fazer cara de nojo pra mim.

- Ai amor...

- Vai, corre pro banho criança – estapeou meu bumbum me empurrando para o quarto.

terça-feira, 17 de maio de 2011

1º Beijo lésbico da TV brasileira!

Passeando pelo youtube,rs, olha o que encontrei, uma semana depois da legalização da união civil gay (uhuul \0/), o SBT exibe o primeiro beijo lésbico da TV brasileira. ooooooooooooooh
E dessa vez, não é uma brincadeirinha de reality show, são duas atrizes lindas em um beijaço rs
Vale a pena conferir

domingo, 15 de maio de 2011

SOCIEDADE SECRETA LESBOS - VIGÉSIMO QUINTO CAPÍTULO

Capítulo 25



As irmãs Gama-Tau trataram de acionar antigas irmãs para assegurar as doações ao orfanato. Usando da influência delas na sociedade e no meio empresarial junto aos nomes da referida lista, obtiveram algumas boas respostas. Durante a semana, Michelle Roberts não procurou Esther. Tal fato deveria representar um alívio para a morena, entretanto, conhecendo a personalidade e do que Michelle era capaz, essa ausência só aumentava a apreensão de Esther diante da ameaça feita no último encontro. Tentava esquecer esse temor passando todas as horas possível ao lado de Amy, que cada vez mais, se mostrava apaixonada, gerando uma dubiedade de sensações em Esther: céu e inferno no seu interior conturbado.

Aproximava-se o aniversário de Amy, as meninas da fraternidade eram muito atentas quanto a tais eventos. Ao pedido de Esther, Laurel encabeçou os preparativos de uma festinha surpresa para sua loirinha.

As Gama-Tau guardavam a tradição de comemorar os aniversários de seus membros apenas entre irmãs, assim, a comemoração seria exclusiva. Amy aos poucos se tornava cada vez mais popular entre as irmãs, além de sua simpatia, estava sempre à disposição para ajudar as demais nas tarefas da casa, em trabalhos acadêmicos, sua felicidade parecia atrair as pessoas para mais perto dela.

Ellen fazia questão de estar sempre por perto, especialmente na ausência de Esther, esta, sempre ao notar uma malícia na aproximação da irmã tratava de sutilmente, ou não, trazer sua escolhida para seu colo.

Tudo pronto enfim para a festa de Amy, a manhã do seu aniversário começou mais que perfeita para a loirinha. Esther a surpreendeu com uma cesta repleta de guloseimas, e uma intimação carinhosa:

-- Hoje, a senhorita vai matar aula...

-- Piquenique?

-- Isso... Parabéns, linda!

A morena beijou aqueles lábios que pareciam clamar por serem possuídos pela boca de Esther. Trocaram um beijo apaixonado, o qual fez Amy desejar não sair do seu quarto. Em vez de receber o presente, quis dar-se com toda paixão, naquele mesmo momento. Puxou Esther pela jaqueta de couro enquanto sugava a língua da morena, até perto da cama, quando foi surpreendida por um empurrão sutil:

--E iii... Calma, linda... A gente vai ter tempo pra isso... Hoje o dia todo é só seu. Quero te mostrar um lugar especial, vamos.

Esther finalizou o convite com uma série de pequenos beijos nos lábios de Amy, que só sorriu timidamente, consentindo os planos de sua “irmã-guia”.

Após alguns minutos, chegaram a um cenário conhecido, a Sunshine Beach, a praia a qual os universitários costumavam se reunir para luais, a mesma que há semanas atrás foi ponto de encontro daquele casal. Esther parou a moto, ambas tiraram os capacetes, e Amy falou com a voz emocionada:

-- Piquenique na praia?

-- Mais ou menos... Lembra daquilo ali?

Esther apontou para o farol em cima da colina. De dia, parecia mais próximo da praia.

Amy sorriu e respondeu:

-- Como esquecer? Ouvir você narrar uma história de amor foi no mínimo estranho pra mim naquele dia...

-- Ué, por quê? Acha que sou incapaz de amar? Ou que não acredito no amor?

Olhando por cima dos ombros, Esther indagou com um tom decepcionado, até ouvir a resposta de Amy:

-- Incapaz, não, mas acho que você precisa acreditar mais no poder que esse sentimento tem...

A resposta de Amy bateu fundo no coração de Esther, que sabia perfeitamente a verdade daquelas palavras em sua vida. Alguns segundos de silêncio, até que a morena saiu de seu suposto transe, e fez menção de colocar o capacete de volta e dar partida na moto, quando parou, e mais uma vez, virou-se em direção a aniversariante, e disse:

-- Você parece me conhecer, loirinha... Mas você vai se surpreender comigo...

A frase despertou várias hipóteses na mente de Amy, e mais uma vez, o ar misterioso de Esther dominou aqueles enigmáticos olhos castanhos...

Seguiram então para o alto da colina. Desceram da moto, Esther rapidamente tirou a cesta de piquenique do bagageiro, com a outra mão conduziu Amy até o interior do farol, que estava surpreendentemente limpo, fazendo Amy acreditar que não estava abandonado, e assim, a tal história narrada por Esther poderia ser real.

Subiram por escadas estreitas até o topo do farol e lá arrumaram no chão o conteúdo daquela cesta. Esther não esqueceu nada, nem mesmo a toalha quadriculada: frutas, pães doces, torradas, suco, biscoitos, tudo bem separado. Amy estava encantada com a atenção de Esther, que sem dúvida estava mesmo surpreendendo-a.

As duas se serviram do pequeno banquete, em um clima descontraído, Esther lambuzava as bochechas de Amy com mel, e depois as beijava carinhosamente, despertando a princípio cócegas, entretanto as carícias evoluíam, na medida em que Esther descia com seus lábios pelo pescoço da loirinha, que se entregava desejando que Esther a possuísse com urgência... Seu corpo quente parecia gritar isso, até que enfim a morena entendeu, e foi impondo seu peso sobre Amy, e com suas mãos iniciou a exploração do corpo da loirinha... Desnudando cada espaço dele entre beijos, mordiscadas, e o com o calor de sua língua, fez Amy tremer rapidamente.

Amy ousava despir algumas peças de Esther, mas a morena claramente queria dominar aquele momento. Segurou então os dois braços da loirinha acima de sua cabeça, e continuou sugando a língua de Amy, movimentando seus quadris num ritmo envolvente, despertando uma explosão de prazer na loirinha externada em gemidos roucos.

Sutilmente, Esther soltou os braços de Amy, buscou o pote de mel e o derramou no na loirinha, e logo seus lábios e língua passearam naquele corpo completamente eriçado...

A última peça da roupa de Amy, sua calcinha, foi retirada pelos dentes da morena, que estrategicamente colocou-se entre suas pernas. Acariciou o sexo encharcado da loirinha, encheu-se de volúpia, e mergulhou nele com voracidade, sugando cada gota daquele líquido quente, alterando com movimentos circulares entre os pequenos lábios e movimentos mais fortes na altura do clitóris, levando Amy a um gozo pleno evidenciado com a sequência de gemidos e o arqueamento de seu tronco no auge daquele orgasmo.

-- Acabou comigo, hein, minha presidente!

-- Tudo pra aniversariante...

As duas sorriram abraçadas, e ficaram ali por algum tempo, apenas curtindo o calor dos corpos. O momento sereno foi quebrado com uma observação de Esther:

-- Olha só... Está tudo muito bem... Mas tenho que dizer uma coisa...

-- Ai... Vai me deixar aqui? Mandar procurar um táxi? Por favor, Esther, justo hoje?

-- Eiii... Calma, menina! Só ia dizer que você está grudando...

-- Ah...

Não contiveram a gargalhada, depois de muitos risos, Amy interferiu:

-- Culpa sua, né? Não tirou o mel todo...

-- O problema é que você é doce demais...

-- Ah... Então é esse o problema? E agora como a gente resolve isso?

-- Você está vendo aquele marzão todo ali embaixo? Convidativo, não acha?

Amy sorriu, vestiu-se rapidamente enquanto Esther se apressava em guardar tudo que sobrou na cesta. Desceram as escadas do farol, e em minutos, estavam na praia, naquele ponto, deserta, por isso, não tardaram em correr para o mar trajando apenas as peças íntimas. Brincaram, trocaram carinhos, beijos ardentes, aquele momento era sem dúvida o melhor presente que Amy já havia recebido em todos os seus aniversários.

Na areia da praia, Amy recostou sua cabeça no ombro de Esther, inspirando seu perfume, sentindo sua pele quente e macia, e deixou seu coração falar mais alto para se declarar para a morena:

-- Esther, nunca pensei que uma mulher me despertasse tantas sensações, sentimentos tão intensos... Acho que... Estou completamente apaixonada por você... Quero te agradecer pelo dia de hoje, está perfeito... Mas, mais que isso, quero agradecer por você estar comigo como esteve nos últimos dias...

A morena tentou falar algo, mas não dizia uma sequência lógica de palavras, balbuciou um enfático:

-- Nooossaaa...

-- O que foi? Deixei a presidente da Gama-Tau nervosa? -- Amy disse com ar jocoso.

-- Deixou-me sem palavras, na verdade... Mas, quero te dizer que... O dia ainda não acabou... Ainda falta te dar meu presente, vamos?

-- Presente? Nossa, pensei que esse piquenique fosse meu presente!

-- Deixa de ser boba! Claro que isso aqui não foi seu presente! Agora vamos, que está me dando agonia esse monte de areia grudando em mim...

Sorriram e caminharam de mãos dadas até a motocicleta de Esther. Amy exibia um sorriso largo, com um ar de criança sapeca pediu à morena:

-- Já que é meu dia e você está tão boazinha... Posso te pedir uma coisa?

-- Xi... Já vai se aproveitar, é? Pede aí...

-- Será que você pode me ensinar a pilotar moto?

-- Hoje?

-- É... Tenho medo de outro dia você não estar de tão bom humor assim... -- sorriu.

-- Vamos lá então, aniversariante! Que exploradora você é! Vamos lá, monte aí...

Amy apoderou-se da moto enquanto Esther explicava as funções, os pedais, e ensinou a loirinha enfim a dar partida. Amy parecia criança diante de um brinquedo novo, acelerando para ouvir o ronco do motor. Esther sorria encantada com suas reações, orientou então que a loirinha colocasse o capacete e montou na garupa, abraçando-a por trás, ajudando-a a conduzir a moto praticamente desfilando, sem impor velocidade. Aos poucos, Esther indicava que Amy acelerasse moderadamente. Ficaram assim até não encontrarem movimento de outros veículos nas ruas, só aí Esther assumiu o comando e seguiram de volta à mansão Gama-Tau.