CAPÍTULO 3: PÉ NA ESTRADA
Nem me dei conta da decisão que acabara de tomar, mas nem todas as decisões que tomei na vida com toda cautela resultaram em sucesso para mim, não tinha nada a perder mesmo, então era hora de colocar o pé na estrada, rumo à Nova Esperança, o nome da cidade afinal podia representar um sinal para mim, era disso que eu precisava.
Apesar dos protestos infindos de minhas super amigas, arrumei minhas coisas o mais rápido que pude e em uma semana estava com minhas malas no carro, partindo para o interior e para uma vida nova também em Nova Esperança.
Depois de dirigir por cerca de cinco horas, cheguei enfim a meu novo endereço. Como eu esperava, pouca coisa havia mudado desde minha última visita. Nova Esperança era uma cidade pacata, pela forte presença de imigrantes europeus, as casas tinham uma arquitetura clássica, que lembrava o estilo holandês, com casas estreitas e com dois andares no mínimo, dando um charme especial naquela atmosfera de clima ameno e povo tranqüilo caminhando pelas ruas, caracterizando o cenário bucólico de minha infância.
Como orientada pelo Daniel, segui para o prédio da secretaria de cultura, onde ele trabalhava. Na verdade não era um prédio, era uma casa antiga, com um grande jardim à sua frente, varanda espaçosa, localizada no fim da rua central da cidade. Logicamente a chegada de alguém “estrangeiro” à cidade chamou a atenção dos funcionários da secretaria de cultura, ao me dirigir à senhora alva de olhos verdes, sentada atrás de uma mesa, já senti o que me esperava ali:
-- Bom dia, eu gostaria de falar com o Senhor Secretário, Daniel Rosembaur.
-- Bom dia, quem é você?
Meio surpresa com a “sutil” curiosidade da mulher que eu julgava ser a secretária do Daniel, fiquei sem graça, mas, respondi:
-- Alexandra Castro, uma amiga.
-- Então é você!
A senhora levantou-se imediatamente da cadeira, abraçando-me como se recebesse uma velha conhecida, em seguida berrou:
-- Dandan meu filho, a Alex chegou! Desculpe Alexandra, mas você está com fome, deve estar cansada da viagem, perdoe-me devia ter adivinhado que era você, mas só esperávamos sua chegada para a segunda-feira.
Constrangida com a repentina intimidade demonstrada pela mulher, eu apenas sorri enquanto reconhecia o Daniel saindo de uma sala com um sorriso largo e os braços abertos em minha direção:
-- Sardenta!
Daniel estava bem diferente do que eu me lembrava, desde nosso reencontro há cinco anos. O jovem franzino e alto, deu lugar a um homem de músculos mais definidos, e o óculos elegante deu-lhe um ar intelectual, a pele clara, os olhos azuis e os cabelos com poucos fios brancos, transformou-o num homem bonito e atraente, bem parecido com um galã de cinema europeu. Abraçou-me com a saudade sincera de um amigo verdadeiro, aquele acolhimento para mim gerou em mim o sentimento que tinha tomado a decisão certa em aceitar o convite.
-- Fez boa viagem Alex?
-- Sim amigo, fiz, obrigada.
-- Berta vou levar Alex para se acomodar, está tudo pronto lá?
-- Está sim Dandan, tudo como você pediu. Espero que você goste Alex.
-- Obrigada. -- respondi ainda tímida.
Daniel me conduziu até a casa que preparara para me instalar. Um agradável sobrado a algumas ruas dali. Os tijolos vermelhos, e as janelas brancas já conquistaram minha simpatia, esbocei um sorriso quando meu amigo apresentou-me a minha nova residência:
-- Espero que você goste Alex da sua nova casa.
-- Tenho certeza que vou gostar Dandan.
Daniel foi me ajudando com as malas e entramos no sobrado. Decoração caprichada, e uma sala de visitas após um rol de entrada equipado com sofás quadriculados, e uma poltrona aconchegante perto de uma lareira. Ao lado um pequeno corredor que dava acesso a uma sala de jantar conjugada com a cozinha, na lateral uma porta que dava acesso a um lavabo. Depois da cozinha outra porta separando do que seria uma área de serviço que era praticamente o tamanho do meu apartamento inteiro na cidade. O quintal ainda abrigava uma mesa e bancos de madeira debaixo de uma mangueira frondosa. No primeiro andar, meu quarto, espaçoso, com um banheiro enorme, provido com uma banheira com formato clássico, antigo, as cortininhas do box davam o charme. No sótão, Daniel montou um pequeno escritório, o que achei um gesto a mais de carinho, a vista do sótão era linda, minha mesa ele posicionou diante da janela que me mostrava à paisagem de um dos lagos da cidade, cercado por árvores altas e vistosas.
-- Dandan está tudo mais que perfeito!
-- Ah sardenta! Que bom que você gostou! Berta fez algumas compras para você, mas como não conhecíamos seu gosto não compramos muita coisa, mas ao menos café eu lembrava que você gosta, que tal tomarmos um agora para colocarmos o papo em dia? Eu mesmo faço enquanto você toma um banho, deve estar cansada depois de dirigir por tanto tempo.
-- ”tima sugestão Dandan.
Meu banho foi demorado, ao descer encontrei uma mesa posta, além do café, Daniel preparou panquecas, e as recheou com geléia:
-- Que homem prendado meu Deus! Quer casar comigo?
Daniel sorriu e puxou a cadeira para eu me sentar como um perfeito cavalheiro. Depois de escutar o que acontecera comigo, ele tratou de me animar, explanando quais seus planos para o jornal:
-- Alex, minha pretensão é realizar algo diferenciado. Não é só uma publicação interiorana falando das notícias da cidade e da região, quero fazer desse jornal um espaço de cultura e arte, por isso quero que integre a participação das escolas, e da nossa universidade.
-- Acho uma proposta inovadora e desafiadora amigo, e estou animada para começar. Quero me reunir com a equipe o quanto antes, e começarmos com todo gás para publicar o primeiro número rapidamente.
-- ”timo! Preciso de uma edição piloto para o final da próxima semana, para articular patrocinador.
-- O quê! Próxima semana? Está louco?
-- Seu primeiro desafio amiga... Vou reunir a sua equipe e hoje no final da tarde você já os conhecerá.
O café delicioso e as panquecas preparadas desceram amargos, tamanha foi minha preocupação com o prazo que meu novo chefe acabara de me dar. Como combinado no final da tarde, cheguei à secretaria de cultura para conhecer minha equipe. Berta já foi me avisando:
-- Estão na sala do Dandan querida, pode entrar, esperam só por você.
Ao entrar na sala, deparei-me com quatro pessoas e o Daniel, cordialmente cumprimentei a todos depois que meu amigo me apresentou, sentei-me em volta da mesa ali disposta e perguntei:
-- Então, os outros demoram a chegar para iniciarmos a reunião?
-- Outros? Que outros Alex? – Indagou Daniel.
-- O resto da equipe Daniel.
Daniel sorriu, fez uma careta e respondeu:
-- Querida, esta é toda sua equipe.
Arregalei os olhos e pelo susto acabei derramando o copo d’água em cima dos papéis sobre a mesa.
-- Essa é Fernanda, vai trabalhar como repórter. Artur nosso fotógrafo. Luiza, diagramadora e revisora e o Marcos que vai te ajudar na edição, pesquisa, e em tudo mais que for preciso, é nosso estagiário.
-- Mas Daniel, só um repórter?
-- Não se preocupe Alexandra, nessa cidade não acontece muita coisa, eu dou conta. -- Disse Fernanda sorrindo para mim.
Todos da minha grande equipe pareciam animados, e nem um pouco assustados, isso de certa forma me motivou. Definimos uma pauta para nossa edição piloto, já que a cidade se preparava para comemorar a semana do município, nossa edição especial ia retratar toda história, além de enfatizar seu desenvolvimento e prospecções. De acordo com a pretensão do meu chefe e amigo, sugeri que fosse feito na semana um concurso de redações no ensino fundamental e médio nas escolas públicas sobre a cidade, poesias talvez, para publicarmos.
Já à noite concluímos nossa primeira reunião. Daniel me esperava na porta da secretaria com um convite:
-- Alex, hoje é sexta-feira, ninguém merece passar uma noite de sexta em casa...
-- Qual a programação?
-- Aqui não tem muitas opções, então, vou te apresentar a melhor de hoje, vamos?
-- Sim vamos!
Histórias e estórias, contos e romances, delírios e sonhos, fantasias para mulheres que acreditam no amor.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Aconteceu você
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Sociedade Secreta Lesbos: Capítulo 34
Capítulo 34
Antes de o sol nascer, Esther chegou à mansão Gama-Tau. Ao abrir a porta se deparou com Amy dormindo no sofá da sala, com telefone celular na mão. Comoveu-se profundamente ao ver aquilo, e se aproximou da loirinha com todo carinho e beijou-lhe a face, despertando-a do sono:
-- Esther! Onde você estava? Liguei pra você a noite toda, não me atendeu, não me deu uma notícia eu estava preocupada! Não ouvi sua moto...
-- Calma, Amy, está tudo bem...
Amy levantou-se e viu pela janela o Mercedes estacionado, e mais acordada com o sol já surgindo, viu os hematomas no pescoço de Esther, os seus lábios com marcas de mordidas. Retrucou tomada de ciúme:
-- De quem é esse carro, Esther Gonzalez? E essas marcas? Quem era a vadia que você passou a noite?
Os olhos doces de Amy transformaram-se em poços de raiva, faiscavam olhando para Esther, que já estava exausta pela noite de humilhação e tortura física e psicológica que tivera. Não teve energia para discutir com Amy, o que ela desejava era o colo da loirinha, mas naquela situação isso era totalmente impossível, e o pior de tudo: não poderia dizer nada para se defender, afinal, não tinha defesa para aquilo. Respirou fundo e disse:
-- Amy... Estou cansada, melhor conversarmos depois, vou subir.
-- Como assim, Esther? Você chega nesse estado, essa hora, depois de me tratar com grosseria quando ofereci ajuda, não me dá nenhuma explicação depois de passar a noite sem atender meus telefonemas e diz simplesmente isso?
Nessa altura o tom de voz da loirinha já era exaltado, desgastando ainda mais Esther e acordando as meninas do primeiro andar da casa. Lindsay, uma das novatas, teve a sensatez de chamar Rachel ao perceber o rumo da discussão do casal.
-- Esther, você me deve explicações!
-- Amy... Por favor... Não quero ser grossa com você, me deixa subir, descansar, depois conversamos...
-- Não! Quero ouvir, agora!
-- Você quer saber? Então, ótimo, você pediu... Eu dei... Dei meu corpo em troca da liberdade de meu avô, estou sim toda machucada, porque enquanto você tem dinheiro, influência e ganha carro de presente, eu só tenho esse corpo pra conseguir o que quero... Então, menininha mimada, me poupe desse ataquezinho de ciúme...
Nesse momento, Amy ficou estática, não sabia sequer o que perguntar primeiro, ou se ao menos queria perguntar algo, temia as respostas. Providencialmente Rachel chegou e levou Esther para seu quarto. Ellen já estava descendo as escadas e ouviu a declaração da presidente da fraternidade, foi em direção a Amy e disse baixinho:
-- Venha, Amy, você precisa descansar; vou te acompanhar até seu quarto.
Amy foi levada por Ellen sem questionar, parecia anestesiada, não esboçou nenhuma reação, mas as lágrimas correram fáceis. No seu quarto, Ellen aproveitou-se da vulnerabilidade da loirinha, e o fato de estar a sós com ela, e deitou-a no seu colo, permaneceu ali acariciando seus cabelos, sem nada dizer por algum tempo até enfim comentar:
-- Não ligue para esses chiliques da Esther, ela é assim mesmo, Amy... Sempre teve umas saídas misteriosas, não se apega a ninguém. Não crie expectativas com ela, Esther usa e depois descarta, sempre foi assim. Aqui mesmo na fraternidade, você acha que foi a única que se encantou com ela? Que foi a única que foi pra cama com ela?
Amy levantou a cabeça e olhou indignada para Ellen:
-- Você não conhece a Esther... Obrigada pela atenção, mas me deixa sozinha, por favor, Ellen.
-- Mas Amy...
-- Ellen, por favor...
A veterana então saiu do quarto de Amy insatisfeita por a loirinha não ter se rendido ao veneno dela contra Esther. Ao abrir a porta deu de cara com Laurel ainda de pijama à procura de Amy. A discussão do casal virou fofoca pela mansão, a ruiva logo se preocupou com a amiga.
-- Amy? Posso entrar?
-- Sim, Laurel.
-- Posso ajudar? Ouvi alguns boatos pela casa, quer conversar?
-- Laurel, nem sei o que dizer... Estou tão perdida... Magoada...
A loirinha caiu no pranto, Laurel impulsivamente correu para abraçá-la e tentar acalmá-la. Ouviu a versão inteira dos fatos por Amy, e foi bem mais compassiva com Esther. Apesar de não conhecer o teor de sua relação com a suposta mulher misteriosa, sabia que tinha algo de muito estranho nisso.
-- Amy, me escute... Entendo sua mágoa, e o porquê você exigir explicações de Esther... Mas acredite, ela nunca se permitiu um relacionamento como está tendo com você, sempre foi conhecida por ficar com muitas meninas. Mas desde que você entrou aqui, isso mudou... Esther de fato é muito misteriosa, para toda a fraternidade, mas acredito no sentimento dela por você.
-- Laurel, como posso acreditar nesse sentimento, se eu não sei de nada da vida dela? Você não viu o estado que ela estava, cheia de chupões, mordidas... Eu amo aquele corpo... Me dói imaginar alguém usando-o em troca de favores... Ainda mais quando eu ofereci ajuda sem nada em troca, ela não precisava se submeter a isso!
Laurel segurou a mão de Amy e disse mansamente:
-- Amy... Se você a ama de fato, terá que descobrir uma forma da Esther confiar em você. Não será tarefa fácil... E um conselho que te dou mais uma vez, cuidado com a Ellen... Ela sim, não merece nenhuma confiança.
No quarto de Esther, Rachel preparou a banheira e ajudou a amiga no banho. Separou algumas ervas e unguentos que o avô da morena preparava para machucados. Doeu ver a amiga naquele estado. As pernas sempre tão vistosas estavam marcadas pelas chicoteadas. As marcas das algemas nos pulsos de Esther estavam arroxeadas, mas o que mais doía, era ver nos olhos claros da morena, a escuridão. Esther chorava em silêncio, enquanto Rachel ia derramando os preparados pelo seu corpo submerso na banheira.
Já na sua cama, envolta apenas numa camiseta leve, Rachel indagou:
-- Esther, você quer me dizer algo?
-- Rachel... Meu avô foi preso pela imigração, tive que... Apelar pra Michelle... Certamente foi ela a responsável pela prisão dele... Me usou de todas as formas, ela e três amigas... Rachel...ela é tão cruel... Saí fugida de lá, ela escondeu as chaves da moto... E quando chego aqui encontro Amy tão linda me esperando... Foi um bálsamo, sabe? Aí ela me cobra explicações, tem uma crise de ciúmes... Não aguentei.
-- Esther... Amy nem podia sonhar o que aconteceu com você, ela passou a noite toda esperando, te ligando, preocupada com você, com seu avô... Desci várias vezes a noite e ela estava lá andando de um lado pro outro, eu mesma te liguei deduzindo que você estava com Michelle, enfim... Ela está apaixonada, Esther, você conseguiu o que queria... Então, crise de ciúmes e preocupação com quem a gente ama é perfeitamente normal... Você deve entendê-la.
Esther calou-se e ficou pensativa acerca das coisas que acabara de ouvir da amiga. Deitou-se e deixou o esgotamento dar lugar ao sono, e a ele se entregou. O mesmo aconteceu a Amy.
Antes de o sol nascer, Esther chegou à mansão Gama-Tau. Ao abrir a porta se deparou com Amy dormindo no sofá da sala, com telefone celular na mão. Comoveu-se profundamente ao ver aquilo, e se aproximou da loirinha com todo carinho e beijou-lhe a face, despertando-a do sono:
-- Esther! Onde você estava? Liguei pra você a noite toda, não me atendeu, não me deu uma notícia eu estava preocupada! Não ouvi sua moto...
-- Calma, Amy, está tudo bem...
Amy levantou-se e viu pela janela o Mercedes estacionado, e mais acordada com o sol já surgindo, viu os hematomas no pescoço de Esther, os seus lábios com marcas de mordidas. Retrucou tomada de ciúme:
-- De quem é esse carro, Esther Gonzalez? E essas marcas? Quem era a vadia que você passou a noite?
Os olhos doces de Amy transformaram-se em poços de raiva, faiscavam olhando para Esther, que já estava exausta pela noite de humilhação e tortura física e psicológica que tivera. Não teve energia para discutir com Amy, o que ela desejava era o colo da loirinha, mas naquela situação isso era totalmente impossível, e o pior de tudo: não poderia dizer nada para se defender, afinal, não tinha defesa para aquilo. Respirou fundo e disse:
-- Amy... Estou cansada, melhor conversarmos depois, vou subir.
-- Como assim, Esther? Você chega nesse estado, essa hora, depois de me tratar com grosseria quando ofereci ajuda, não me dá nenhuma explicação depois de passar a noite sem atender meus telefonemas e diz simplesmente isso?
Nessa altura o tom de voz da loirinha já era exaltado, desgastando ainda mais Esther e acordando as meninas do primeiro andar da casa. Lindsay, uma das novatas, teve a sensatez de chamar Rachel ao perceber o rumo da discussão do casal.
-- Esther, você me deve explicações!
-- Amy... Por favor... Não quero ser grossa com você, me deixa subir, descansar, depois conversamos...
-- Não! Quero ouvir, agora!
-- Você quer saber? Então, ótimo, você pediu... Eu dei... Dei meu corpo em troca da liberdade de meu avô, estou sim toda machucada, porque enquanto você tem dinheiro, influência e ganha carro de presente, eu só tenho esse corpo pra conseguir o que quero... Então, menininha mimada, me poupe desse ataquezinho de ciúme...
Nesse momento, Amy ficou estática, não sabia sequer o que perguntar primeiro, ou se ao menos queria perguntar algo, temia as respostas. Providencialmente Rachel chegou e levou Esther para seu quarto. Ellen já estava descendo as escadas e ouviu a declaração da presidente da fraternidade, foi em direção a Amy e disse baixinho:
-- Venha, Amy, você precisa descansar; vou te acompanhar até seu quarto.
Amy foi levada por Ellen sem questionar, parecia anestesiada, não esboçou nenhuma reação, mas as lágrimas correram fáceis. No seu quarto, Ellen aproveitou-se da vulnerabilidade da loirinha, e o fato de estar a sós com ela, e deitou-a no seu colo, permaneceu ali acariciando seus cabelos, sem nada dizer por algum tempo até enfim comentar:
-- Não ligue para esses chiliques da Esther, ela é assim mesmo, Amy... Sempre teve umas saídas misteriosas, não se apega a ninguém. Não crie expectativas com ela, Esther usa e depois descarta, sempre foi assim. Aqui mesmo na fraternidade, você acha que foi a única que se encantou com ela? Que foi a única que foi pra cama com ela?
Amy levantou a cabeça e olhou indignada para Ellen:
-- Você não conhece a Esther... Obrigada pela atenção, mas me deixa sozinha, por favor, Ellen.
-- Mas Amy...
-- Ellen, por favor...
A veterana então saiu do quarto de Amy insatisfeita por a loirinha não ter se rendido ao veneno dela contra Esther. Ao abrir a porta deu de cara com Laurel ainda de pijama à procura de Amy. A discussão do casal virou fofoca pela mansão, a ruiva logo se preocupou com a amiga.
-- Amy? Posso entrar?
-- Sim, Laurel.
-- Posso ajudar? Ouvi alguns boatos pela casa, quer conversar?
-- Laurel, nem sei o que dizer... Estou tão perdida... Magoada...
A loirinha caiu no pranto, Laurel impulsivamente correu para abraçá-la e tentar acalmá-la. Ouviu a versão inteira dos fatos por Amy, e foi bem mais compassiva com Esther. Apesar de não conhecer o teor de sua relação com a suposta mulher misteriosa, sabia que tinha algo de muito estranho nisso.
-- Amy, me escute... Entendo sua mágoa, e o porquê você exigir explicações de Esther... Mas acredite, ela nunca se permitiu um relacionamento como está tendo com você, sempre foi conhecida por ficar com muitas meninas. Mas desde que você entrou aqui, isso mudou... Esther de fato é muito misteriosa, para toda a fraternidade, mas acredito no sentimento dela por você.
-- Laurel, como posso acreditar nesse sentimento, se eu não sei de nada da vida dela? Você não viu o estado que ela estava, cheia de chupões, mordidas... Eu amo aquele corpo... Me dói imaginar alguém usando-o em troca de favores... Ainda mais quando eu ofereci ajuda sem nada em troca, ela não precisava se submeter a isso!
Laurel segurou a mão de Amy e disse mansamente:
-- Amy... Se você a ama de fato, terá que descobrir uma forma da Esther confiar em você. Não será tarefa fácil... E um conselho que te dou mais uma vez, cuidado com a Ellen... Ela sim, não merece nenhuma confiança.
No quarto de Esther, Rachel preparou a banheira e ajudou a amiga no banho. Separou algumas ervas e unguentos que o avô da morena preparava para machucados. Doeu ver a amiga naquele estado. As pernas sempre tão vistosas estavam marcadas pelas chicoteadas. As marcas das algemas nos pulsos de Esther estavam arroxeadas, mas o que mais doía, era ver nos olhos claros da morena, a escuridão. Esther chorava em silêncio, enquanto Rachel ia derramando os preparados pelo seu corpo submerso na banheira.
Já na sua cama, envolta apenas numa camiseta leve, Rachel indagou:
-- Esther, você quer me dizer algo?
-- Rachel... Meu avô foi preso pela imigração, tive que... Apelar pra Michelle... Certamente foi ela a responsável pela prisão dele... Me usou de todas as formas, ela e três amigas... Rachel...ela é tão cruel... Saí fugida de lá, ela escondeu as chaves da moto... E quando chego aqui encontro Amy tão linda me esperando... Foi um bálsamo, sabe? Aí ela me cobra explicações, tem uma crise de ciúmes... Não aguentei.
-- Esther... Amy nem podia sonhar o que aconteceu com você, ela passou a noite toda esperando, te ligando, preocupada com você, com seu avô... Desci várias vezes a noite e ela estava lá andando de um lado pro outro, eu mesma te liguei deduzindo que você estava com Michelle, enfim... Ela está apaixonada, Esther, você conseguiu o que queria... Então, crise de ciúmes e preocupação com quem a gente ama é perfeitamente normal... Você deve entendê-la.
Esther calou-se e ficou pensativa acerca das coisas que acabara de ouvir da amiga. Deitou-se e deixou o esgotamento dar lugar ao sono, e a ele se entregou. O mesmo aconteceu a Amy.
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Sociedade Secreta Lesbos: Capítulo 33
Capítulo 33
Na mansão, Amy andava de um lado para outro, esperando o som da música vinda do estúdio cessar para enfim subir ao encontro de Esther. Sentiu-se mal por saber tão pouco da vida da mulher que amava. Teve vontade de dividir com ela aquela dor, ou ao menos ficar ao seu lado dando todo carinho que precisava. O silêncio se instalou e ela não esperou até subir, ouvindo Esther falar ao telefone:
-- Vô, como isso aconteceu? Não se preocupe, eu sei o que fazer... Logo o senhor estará livre disso, eu prometo.
Timidamente, vendo a expressão de angústia da morena, Amy indagou:
-- Aconteceu alguma coisa?
-- Sim... Meu avô foi preso pela imigração... Tenho que tirá-lo de lá antes que ele seja deportado.
-- Nossa! Esther, eu posso ajudar, meu pai é advogado, pode indicar algum amigo daqui, espere um pouco e vou com você, só preciso dar um telefonema...
-- Não! Não quero nada de sua família!
-- Calma, Esther... Minha mãe foi rude com você, mas minha família tem influência, pode ajudar...
-- Não, Amy, eu disse não! Tenho meus meios de resolver isso, por favor, não se envolva nisso.
Esther desceu as escadas as pressas, saindo sem dar satisfações. No fundo sabia que a prisão do avô se tratava de uma retaliação de Michelle, sabia muito bem o que fazer para livrá-lo da deportação.
Michelle tinha esse trunfo para ter domínio sobre a morena, assim, a primeira coisa que Esther fez foi ligar para a ardilosa Sra. Roberts.
Michelle a aguardava em sua casa de praia. Com o mesmo ar de superioridade de sempre, atendeu Esther, e num tom sarcástico se dirigiu a moça:
-- Ora, ora, ora... Veja quem retorna com o rabo entre as pernas... Você achou mesmo que podia me desafiar?
-- Michelle, faço qualquer coisa, mas tire meu avô daquela prisão, ele não pode ser extraditado...
-- Vai ser muito difícil... Terei que usar de toda minha influência, você sabe que terei que ser muito bem recompensada...
-- É, eu sei, farei o que você quiser, mas, por favor...
-- Calma... Só preciso dar um telefonema, não precisa chorar...
Michelle já previa os passos de Esther, e já havia se adiantado para livrar o avô da morena da extradição, uma vez que fora a própria, quem armou para o senhor mexicano ser preso. Retornou à sala onde Esther a aguardava, angustiada, e comunicou-lhe:
-- Tudo resolvido... Seu avô já está a caminho de casa.
-- Muito obrigada, Michelle, vou aguardá-lo em casa, então.
-- Não, você terá tempo de vê-lo outro dia, hoje você fica comigo. Pode ligar para ele e se certificar que está bem e solto, mas hoje, vamos compensar o tempo perdido...
Como sabia que não tinha opção, Esther falou rapidamente com seu avô, comprovando a veracidade da informação de Michelle, e assim foi tirando seu casaco de couro, se aproximando da Sra. Roberts, que tomou a boca com fome, sugando os lábios de Esther qual fruta saborosa, e avisou sussurrando ao seu ouvido:
-- Hoje vamos dar uma festinha de comemoração pela volta da minha cadelinha... As convidadas nos aguardam lá em cima, vamos.
Saiu puxando Esther pelas escadas. Na sala de vídeo da mansão, outras três mulheres, do mesmo porte de Michelle, estavam sentadas nas poltronas luxuosas. Na mesa de centro, carreiras de pó dispostas sobre uma fina placa de vidro, na tela de plasma um filme pornô era exibido, as garrafas e copos de whisky estavam espalhados pelo chão acarpetado.
Diante das supostas convidadas, Michelle anunciou:
-- Meninas, nosso brinquedinho acabou de chegar, é hora da diversão!
Michelle serviu um copo de whisky a Esther, que num gole só sorveu todo conteúdo. Agachou-se na mesa de centro e cheirou o pó ali disposto, certa que só assim conseguiria pagar sua dívida com Michelle naquela noite.
Aqueles eventos na casa de praia dos Roberts eram frequentes, às vezes com mais pessoas. A própria Esther já participara, fazendo sexo com Michelle para suas amigas assistirem. Imaginava que aconteceria o mesmo naquela noite.
Os planos de Michelle eram outros. Aproximou-se de Esther sensualmente deixando seu hobbie de seda cair, mostrando assim seu lingerie de renda vermelha. Despiu Esther diante das convidadas, que olhavam à morena com o desejo óbvio. As mulheres mordiam os lábios e passavam a língua por eles evidenciando a excitação urgente ao ver as curvas latinas perfeitas.
Abraçando a morena por trás e lambendo seu pescoço, Michelle fez sinal para as demais convidadas, que imediatamente se aproximaram. Uma tocava o sexo de Esther, outra tomou o lugar de Michelle e apalpou com força os seios fartos da morena.
As três iam se revezando, explorando o corpo de Esther, que não podia evitar sentir prazer com as múltiplas investidas, enquanto Michelle inalava mais uma carreira de pó.
Levantou-se e se apropriou da morena, ordenando:
-- Agora me chupa, minha vadiazinha...
Empurrou a cabeça de Esther, que foi se ajoelhando entre as pernas de Michelle, invadindo o sexo encharcado da Sra. Roberts, excitando ainda mais quem assistia aquilo.
Michelle gemia alto, na medida em que Esther colocava uma de suas pernas em cima de seu ombro, promovendo uma abertura entre as pernas de Michelle que dava espaço total para penetrar dedos e língua, provocando o gozo inevitável daquela ardilosa mulher.
As demais se sentaram no sofá, assistindo a cena, pareciam gozar juntas, se tocavam ao testemunhar o orgasmo de Michelle, que por sua vez, empurrou Esther para o chão, abrindo as pernas da morena, e introduziu dois dedos comprovando a umidade abundante em seu sexo. Assim, chamou as convidadas para beberem do gozo do “brinquedinho” dela.
Uma a uma sugaram o sexo de Esther, que se contorcia de prazer. Ali travava uma luta contra seu próprio corpo, não queria sentir nada, mas isso era impossível. O toque e as línguas pelo seu corpo a davam uma explosão de sensações. Gozou.
O que ia se seguir parecia mais com o estilo sádico de Michelle Roberts.
Michelle voltou à sala com seus conhecidos brinquedos. Sentou Esther em uma cadeira algemando ambas as mãos da morena para trás. Abriu suas pernas, e introduziu o gargalo da garrafa de whisky no sexo de Esther, a expressão de dor da morena parecia excitar ainda mais o sadismo de Michele.
Esther tentava fechar as pernas, mas com um chicote, Michele lançava mão dele, chicoteando as pernas da morena. Enquanto isso, outra a puxava para trás pelos cabelos, mordendo agressivamente os lábios de Esther.
O cenário de orgia se transformara numa sessão de tortura, ao final, Esther estava machucada, com sangue nos lábios, marcas pelas pernas e pescoço. Não segurou o choro de revolta que nem mesmo a droga e o álcool ingeridos diminuíram.
Permaneceu ali ainda presa à cadeira, sentindo o sal de suas lágrimas pelo seu rosto e corpo feridos. Lembrou-se da doçura de Amy e dos momentos juntas. Desejou tanto estar abraçada a ela. Fechou seus olhos e pensou no seu rosto angelical na tentativa de minimizar a dor que dilacerava também sua alma.
Uma das mulheres retirou as algemas de Esther, imediatamente, ainda sentindo dores por todo corpo, a morena levantou-se procurando suas roupas. Seu desejo era correr para os braços de Amy, esforço inútil. Michelle não permitiu, escondeu as chaves da moto da moça, e quase no raiar do dia, Esther achou as chaves do carro de Michelle, e não pensou duas vezes, saiu daquela mansão qual escravo fugia de uma senzala.
Na mansão, Amy andava de um lado para outro, esperando o som da música vinda do estúdio cessar para enfim subir ao encontro de Esther. Sentiu-se mal por saber tão pouco da vida da mulher que amava. Teve vontade de dividir com ela aquela dor, ou ao menos ficar ao seu lado dando todo carinho que precisava. O silêncio se instalou e ela não esperou até subir, ouvindo Esther falar ao telefone:
-- Vô, como isso aconteceu? Não se preocupe, eu sei o que fazer... Logo o senhor estará livre disso, eu prometo.
Timidamente, vendo a expressão de angústia da morena, Amy indagou:
-- Aconteceu alguma coisa?
-- Sim... Meu avô foi preso pela imigração... Tenho que tirá-lo de lá antes que ele seja deportado.
-- Nossa! Esther, eu posso ajudar, meu pai é advogado, pode indicar algum amigo daqui, espere um pouco e vou com você, só preciso dar um telefonema...
-- Não! Não quero nada de sua família!
-- Calma, Esther... Minha mãe foi rude com você, mas minha família tem influência, pode ajudar...
-- Não, Amy, eu disse não! Tenho meus meios de resolver isso, por favor, não se envolva nisso.
Esther desceu as escadas as pressas, saindo sem dar satisfações. No fundo sabia que a prisão do avô se tratava de uma retaliação de Michelle, sabia muito bem o que fazer para livrá-lo da deportação.
Michelle tinha esse trunfo para ter domínio sobre a morena, assim, a primeira coisa que Esther fez foi ligar para a ardilosa Sra. Roberts.
Michelle a aguardava em sua casa de praia. Com o mesmo ar de superioridade de sempre, atendeu Esther, e num tom sarcástico se dirigiu a moça:
-- Ora, ora, ora... Veja quem retorna com o rabo entre as pernas... Você achou mesmo que podia me desafiar?
-- Michelle, faço qualquer coisa, mas tire meu avô daquela prisão, ele não pode ser extraditado...
-- Vai ser muito difícil... Terei que usar de toda minha influência, você sabe que terei que ser muito bem recompensada...
-- É, eu sei, farei o que você quiser, mas, por favor...
-- Calma... Só preciso dar um telefonema, não precisa chorar...
Michelle já previa os passos de Esther, e já havia se adiantado para livrar o avô da morena da extradição, uma vez que fora a própria, quem armou para o senhor mexicano ser preso. Retornou à sala onde Esther a aguardava, angustiada, e comunicou-lhe:
-- Tudo resolvido... Seu avô já está a caminho de casa.
-- Muito obrigada, Michelle, vou aguardá-lo em casa, então.
-- Não, você terá tempo de vê-lo outro dia, hoje você fica comigo. Pode ligar para ele e se certificar que está bem e solto, mas hoje, vamos compensar o tempo perdido...
Como sabia que não tinha opção, Esther falou rapidamente com seu avô, comprovando a veracidade da informação de Michelle, e assim foi tirando seu casaco de couro, se aproximando da Sra. Roberts, que tomou a boca com fome, sugando os lábios de Esther qual fruta saborosa, e avisou sussurrando ao seu ouvido:
-- Hoje vamos dar uma festinha de comemoração pela volta da minha cadelinha... As convidadas nos aguardam lá em cima, vamos.
Saiu puxando Esther pelas escadas. Na sala de vídeo da mansão, outras três mulheres, do mesmo porte de Michelle, estavam sentadas nas poltronas luxuosas. Na mesa de centro, carreiras de pó dispostas sobre uma fina placa de vidro, na tela de plasma um filme pornô era exibido, as garrafas e copos de whisky estavam espalhados pelo chão acarpetado.
Diante das supostas convidadas, Michelle anunciou:
-- Meninas, nosso brinquedinho acabou de chegar, é hora da diversão!
Michelle serviu um copo de whisky a Esther, que num gole só sorveu todo conteúdo. Agachou-se na mesa de centro e cheirou o pó ali disposto, certa que só assim conseguiria pagar sua dívida com Michelle naquela noite.
Aqueles eventos na casa de praia dos Roberts eram frequentes, às vezes com mais pessoas. A própria Esther já participara, fazendo sexo com Michelle para suas amigas assistirem. Imaginava que aconteceria o mesmo naquela noite.
Os planos de Michelle eram outros. Aproximou-se de Esther sensualmente deixando seu hobbie de seda cair, mostrando assim seu lingerie de renda vermelha. Despiu Esther diante das convidadas, que olhavam à morena com o desejo óbvio. As mulheres mordiam os lábios e passavam a língua por eles evidenciando a excitação urgente ao ver as curvas latinas perfeitas.
Abraçando a morena por trás e lambendo seu pescoço, Michelle fez sinal para as demais convidadas, que imediatamente se aproximaram. Uma tocava o sexo de Esther, outra tomou o lugar de Michelle e apalpou com força os seios fartos da morena.
As três iam se revezando, explorando o corpo de Esther, que não podia evitar sentir prazer com as múltiplas investidas, enquanto Michelle inalava mais uma carreira de pó.
Levantou-se e se apropriou da morena, ordenando:
-- Agora me chupa, minha vadiazinha...
Empurrou a cabeça de Esther, que foi se ajoelhando entre as pernas de Michelle, invadindo o sexo encharcado da Sra. Roberts, excitando ainda mais quem assistia aquilo.
Michelle gemia alto, na medida em que Esther colocava uma de suas pernas em cima de seu ombro, promovendo uma abertura entre as pernas de Michelle que dava espaço total para penetrar dedos e língua, provocando o gozo inevitável daquela ardilosa mulher.
As demais se sentaram no sofá, assistindo a cena, pareciam gozar juntas, se tocavam ao testemunhar o orgasmo de Michelle, que por sua vez, empurrou Esther para o chão, abrindo as pernas da morena, e introduziu dois dedos comprovando a umidade abundante em seu sexo. Assim, chamou as convidadas para beberem do gozo do “brinquedinho” dela.
Uma a uma sugaram o sexo de Esther, que se contorcia de prazer. Ali travava uma luta contra seu próprio corpo, não queria sentir nada, mas isso era impossível. O toque e as línguas pelo seu corpo a davam uma explosão de sensações. Gozou.
O que ia se seguir parecia mais com o estilo sádico de Michelle Roberts.
Michelle voltou à sala com seus conhecidos brinquedos. Sentou Esther em uma cadeira algemando ambas as mãos da morena para trás. Abriu suas pernas, e introduziu o gargalo da garrafa de whisky no sexo de Esther, a expressão de dor da morena parecia excitar ainda mais o sadismo de Michele.
Esther tentava fechar as pernas, mas com um chicote, Michele lançava mão dele, chicoteando as pernas da morena. Enquanto isso, outra a puxava para trás pelos cabelos, mordendo agressivamente os lábios de Esther.
O cenário de orgia se transformara numa sessão de tortura, ao final, Esther estava machucada, com sangue nos lábios, marcas pelas pernas e pescoço. Não segurou o choro de revolta que nem mesmo a droga e o álcool ingeridos diminuíram.
Permaneceu ali ainda presa à cadeira, sentindo o sal de suas lágrimas pelo seu rosto e corpo feridos. Lembrou-se da doçura de Amy e dos momentos juntas. Desejou tanto estar abraçada a ela. Fechou seus olhos e pensou no seu rosto angelical na tentativa de minimizar a dor que dilacerava também sua alma.
Uma das mulheres retirou as algemas de Esther, imediatamente, ainda sentindo dores por todo corpo, a morena levantou-se procurando suas roupas. Seu desejo era correr para os braços de Amy, esforço inútil. Michelle não permitiu, escondeu as chaves da moto da moça, e quase no raiar do dia, Esther achou as chaves do carro de Michelle, e não pensou duas vezes, saiu daquela mansão qual escravo fugia de uma senzala.
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Aconteceu você
Capítulo 2: Meu mundo caiu
Eu mal tinha forças para me levantar daquela poltrona, de repente me senti uma anã que mal alcançava o chão, afundada naquela cadeira, de tão pequena que me sentia pela dupla humilhação. Lentamente fui tateando minhas coisas, a ponto de pedir que a própria Cuca me beliscasse e me fizesse acordar daquele pesadelo. Saí do escritório da minha ex-editora chefe atônita, meio tonta, ainda assim percebi que cada passo meu era vigiado pelos meus antigos colegas por certo penalizados com minha situação. No fundo do corredor, Marcinha estampando na face um óbvio: “Tadinha...”.
-- Amiga, e aí? Você assistiu? Precisa de ajuda?
-- Eu... Eu... Onde é o departamento de pessoal?
--Ela te deu férias? Enfim alguma bondade nessa bruxa!
--Não... Ela me demitiu.
-- Meu Deus!
-- Eu... Preciso ir Marcinha.
Eu nem ao menos sabia que caminho seguir pelo prédio, que dirá pra minha vida dali por diante. Entrei no elevador deixando cair pastas, e ignorando-as no chão. Caminhando pela calçada mais parecia um zumbi, ironicamente, eu só conseguia ver as pessoas folheando as revistas de fofoca com minha humilhação estampada.
Minha volta pra casa pareceu nem acontecer, dirigi de uma forma automática, pra minha sorte não ultrapassei nenhum sinal vermelho, e suponho que algumas buzinas insistentes e desaforadas eram para chamar minha atenção, mas eu sequer me incomodei. Subi para meu apartamento pelas escadas, para continuar meu dia de cão, o elevador do meu prédio acabara de emperrar. Fingi não perceber os cochichos do porteiro e de algumas vizinhas fofoqueiras que conheciam meu noivo, a essa altura meu ex-noivo.
A repercussão do meu “chifre” teve proporções de Big Brother. Os meus telefones não pararam de tocar um instante, recebi telefonemas de amigos, de revistas de fofocas, e pra meu constrangimento total, de minha família.
Meus pais depois de aposentados resolveram assumir a condição de turistas profissionais, e mesmo numa excussão de pescadores ao Pantanal, souberam da minha tragédia sentimental, minha mãe famosa por falar pelos cotovelos ao telefone só chorava penalizada com minha situação, e meu pai berrava do outro lado xingando o meu ex-noivo Fernando.
Não me faltava nada pior acontecer, ao menos era isso que eu pensava. Afundada entre os travesseiros e o edredom, gastei uma caixa de lenços chorando minha decepção. Exausta acabei dormindo, acordei no susto com a campainha sendo tocada insistentemente. Aos tropeços levantei, e eis que abro a porta pras luluzinhas... O trio das meninas super-poderosas, as minhas melhores amigas desesperadas por notícias minhas:
-- Alex! Menina pensei que você estivesse morta! Imaginei o pior! Que você tinha se afogado no chuveiro, eletrocutada pelo secador, se intoxicado com coca-cola... -- Disse Marcinha enxugando o suor do rosto.
-- Ai falou a exagerada! Amiga como você está? -- Perguntou Renatinha preocupada, me abraçando.
-- Como vocês acham que estou? -- Perguntei já me deitando no sofá.
-- Ai tadinha da minha amiga...
Eveline já se aproximou do sofá me dando colo, as três ficaram levantando possibilidades, variaram do xingamento ao Fernando, até o escracho com a Izabel. Acomodaram-se pelo meu apartamento e naquela noite dormiram comigo. Naquela noite eu precisava mais do que nunca da loucura adorável das minhas amigas para acreditar que o dia enfim precedia outro melhor.
Os dias seguintes ainda me reservaram outra desagradável surpresa. A dona do apartamento que eu morava me ligou comunicando que não renovaria meu contrato de locação, uma vez que precisava do apartamento para seu filho que estava se mudando para a cidade com a mulher. ”timo: traída, sem noivo, sem emprego e sem teto.
Era hora de sair do casulo que se transformou meu apartamento e correr atrás do prejuízo, procurar emprego e agora outro lugar para morar. E quem achava que a notícia de hoje embala o peixe do mercado amanhã quebrou a cara... Descobri que minha humilhação pública ainda era manchete, e minhas entrevistas de emprego se tornaram entrevistas de fofocas, suspeitei também que minha credibilidade como jornalista fora abalada pela demissão do jornal o Dia.
Um mês se passou, e nada na minha vida mudou, exceto a minha despensa, que agora estava vazia, meu estoque de chocolates estava agora depositado na minha cintura, e as caixas de valium, pondera, e todos mais de tarja preta que eu guardava no meu armário não bastavam para devolver meu bem estar.
Até que, recebi um telefonema inesperado:
-- Alexandra?
-- Sim.
-- Não está reconhecendo minha voz?
-- Desculpe-me, mas não, e vou adiantando, se for algum colega de faculdade querendo entrevista, não tenho nada a declarar.
-- Ei sardenta! Calma aí!
O apelido de infância me chamou a atenção.
-- Quem está falando?
-- Pensei que eu fosse mais marcante... Não lembra mesmo Alex?
-- Ai... Não...
-- Sardenta, sardentinha, onde mais você tem essas pintinhas?
O refrãozinho infame me reportou à minha infância no interior, não podia ser outra pessoa que não o meu amigo Daniel.
-- Dandan?
-- Ai finalmente! Eu mesmo Alex! Como vai minha amiga?
-- Se eu te contasse você não acreditaria Dan...
-- Não precisa me contar, sua mãe me falou tudo...
-- Por que não herdei esse talento jornalístico de minha mãe? Ela te achou e ainda atualizou você sobre minha desgraça?
-- Não seja tão maldosa com sua mãe sardenta! Ela está preocupada com você, normal, e nos encontramos num cruzeiro pelo nordeste, só por isso eu estou sabendo do que aconteceu.
-- Ah entendi... Mas então Dandan, por isso você me ligou?
-- Na verdade amiga, estou ligando pra te fazer uma proposta.
-- Que proposta?
-- De trabalho... Não sei se você sabe, mas atualmente sou o secretário de cultura da cidade, e estou com um projeto de abrir um jornal local, e gostaria que você fosse minha editora chefe. O que acha?
A proposta era estranha, mas não poderia ter chegado à melhor hora. Mas mudar-me para o interior nem de longe estava nos meus planos. O interior fora cenário de minha infância, onde meus avós tinham um belo sítio. Daniel era um dos maiores motivos das boas lembranças de lá. Um amigo divertido e leal, não mantivemos contato nos últimos cinco anos, desde o final da minha faculdade, quando visitei o interior para o enterro de minha avó. Entretanto, nada me prendia aquela cidade, e a oportunidade de fugir do escândalo e começar uma vida nova. Meio que de supetão respondi:
-- Acho ótimo! Quando começo?
-- Assim que se fala sardenta!
Eu mal tinha forças para me levantar daquela poltrona, de repente me senti uma anã que mal alcançava o chão, afundada naquela cadeira, de tão pequena que me sentia pela dupla humilhação. Lentamente fui tateando minhas coisas, a ponto de pedir que a própria Cuca me beliscasse e me fizesse acordar daquele pesadelo. Saí do escritório da minha ex-editora chefe atônita, meio tonta, ainda assim percebi que cada passo meu era vigiado pelos meus antigos colegas por certo penalizados com minha situação. No fundo do corredor, Marcinha estampando na face um óbvio: “Tadinha...”.
-- Amiga, e aí? Você assistiu? Precisa de ajuda?
-- Eu... Eu... Onde é o departamento de pessoal?
--Ela te deu férias? Enfim alguma bondade nessa bruxa!
--Não... Ela me demitiu.
-- Meu Deus!
-- Eu... Preciso ir Marcinha.
Eu nem ao menos sabia que caminho seguir pelo prédio, que dirá pra minha vida dali por diante. Entrei no elevador deixando cair pastas, e ignorando-as no chão. Caminhando pela calçada mais parecia um zumbi, ironicamente, eu só conseguia ver as pessoas folheando as revistas de fofoca com minha humilhação estampada.
Minha volta pra casa pareceu nem acontecer, dirigi de uma forma automática, pra minha sorte não ultrapassei nenhum sinal vermelho, e suponho que algumas buzinas insistentes e desaforadas eram para chamar minha atenção, mas eu sequer me incomodei. Subi para meu apartamento pelas escadas, para continuar meu dia de cão, o elevador do meu prédio acabara de emperrar. Fingi não perceber os cochichos do porteiro e de algumas vizinhas fofoqueiras que conheciam meu noivo, a essa altura meu ex-noivo.
A repercussão do meu “chifre” teve proporções de Big Brother. Os meus telefones não pararam de tocar um instante, recebi telefonemas de amigos, de revistas de fofocas, e pra meu constrangimento total, de minha família.
Meus pais depois de aposentados resolveram assumir a condição de turistas profissionais, e mesmo numa excussão de pescadores ao Pantanal, souberam da minha tragédia sentimental, minha mãe famosa por falar pelos cotovelos ao telefone só chorava penalizada com minha situação, e meu pai berrava do outro lado xingando o meu ex-noivo Fernando.
Não me faltava nada pior acontecer, ao menos era isso que eu pensava. Afundada entre os travesseiros e o edredom, gastei uma caixa de lenços chorando minha decepção. Exausta acabei dormindo, acordei no susto com a campainha sendo tocada insistentemente. Aos tropeços levantei, e eis que abro a porta pras luluzinhas... O trio das meninas super-poderosas, as minhas melhores amigas desesperadas por notícias minhas:
-- Alex! Menina pensei que você estivesse morta! Imaginei o pior! Que você tinha se afogado no chuveiro, eletrocutada pelo secador, se intoxicado com coca-cola... -- Disse Marcinha enxugando o suor do rosto.
-- Ai falou a exagerada! Amiga como você está? -- Perguntou Renatinha preocupada, me abraçando.
-- Como vocês acham que estou? -- Perguntei já me deitando no sofá.
-- Ai tadinha da minha amiga...
Eveline já se aproximou do sofá me dando colo, as três ficaram levantando possibilidades, variaram do xingamento ao Fernando, até o escracho com a Izabel. Acomodaram-se pelo meu apartamento e naquela noite dormiram comigo. Naquela noite eu precisava mais do que nunca da loucura adorável das minhas amigas para acreditar que o dia enfim precedia outro melhor.
Os dias seguintes ainda me reservaram outra desagradável surpresa. A dona do apartamento que eu morava me ligou comunicando que não renovaria meu contrato de locação, uma vez que precisava do apartamento para seu filho que estava se mudando para a cidade com a mulher. ”timo: traída, sem noivo, sem emprego e sem teto.
Era hora de sair do casulo que se transformou meu apartamento e correr atrás do prejuízo, procurar emprego e agora outro lugar para morar. E quem achava que a notícia de hoje embala o peixe do mercado amanhã quebrou a cara... Descobri que minha humilhação pública ainda era manchete, e minhas entrevistas de emprego se tornaram entrevistas de fofocas, suspeitei também que minha credibilidade como jornalista fora abalada pela demissão do jornal o Dia.
Um mês se passou, e nada na minha vida mudou, exceto a minha despensa, que agora estava vazia, meu estoque de chocolates estava agora depositado na minha cintura, e as caixas de valium, pondera, e todos mais de tarja preta que eu guardava no meu armário não bastavam para devolver meu bem estar.
Até que, recebi um telefonema inesperado:
-- Alexandra?
-- Sim.
-- Não está reconhecendo minha voz?
-- Desculpe-me, mas não, e vou adiantando, se for algum colega de faculdade querendo entrevista, não tenho nada a declarar.
-- Ei sardenta! Calma aí!
O apelido de infância me chamou a atenção.
-- Quem está falando?
-- Pensei que eu fosse mais marcante... Não lembra mesmo Alex?
-- Ai... Não...
-- Sardenta, sardentinha, onde mais você tem essas pintinhas?
O refrãozinho infame me reportou à minha infância no interior, não podia ser outra pessoa que não o meu amigo Daniel.
-- Dandan?
-- Ai finalmente! Eu mesmo Alex! Como vai minha amiga?
-- Se eu te contasse você não acreditaria Dan...
-- Não precisa me contar, sua mãe me falou tudo...
-- Por que não herdei esse talento jornalístico de minha mãe? Ela te achou e ainda atualizou você sobre minha desgraça?
-- Não seja tão maldosa com sua mãe sardenta! Ela está preocupada com você, normal, e nos encontramos num cruzeiro pelo nordeste, só por isso eu estou sabendo do que aconteceu.
-- Ah entendi... Mas então Dandan, por isso você me ligou?
-- Na verdade amiga, estou ligando pra te fazer uma proposta.
-- Que proposta?
-- De trabalho... Não sei se você sabe, mas atualmente sou o secretário de cultura da cidade, e estou com um projeto de abrir um jornal local, e gostaria que você fosse minha editora chefe. O que acha?
A proposta era estranha, mas não poderia ter chegado à melhor hora. Mas mudar-me para o interior nem de longe estava nos meus planos. O interior fora cenário de minha infância, onde meus avós tinham um belo sítio. Daniel era um dos maiores motivos das boas lembranças de lá. Um amigo divertido e leal, não mantivemos contato nos últimos cinco anos, desde o final da minha faculdade, quando visitei o interior para o enterro de minha avó. Entretanto, nada me prendia aquela cidade, e a oportunidade de fugir do escândalo e começar uma vida nova. Meio que de supetão respondi:
-- Acho ótimo! Quando começo?
-- Assim que se fala sardenta!
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Leis do destino
CAPÍTULO 2: A REPÚBLICA (LEX LOCI CELEBRATINIS)
* lei do lugar da celebração – Quando da celebração de algum ato, as suas formalidades são regidas pelas leis vigentes no lugar da celebração.
Por Têmis
Diana era a popularidade em pessoa. Não só pela função que desempenhava nas festas do curso como organizadora e DJ, mas pela simpatia e liderança que exibia. Era veterana do curso de direito, mas nem um pouco compromissada com os estudos. Pagava disciplinas em praticamente todos os períodos do curso, não fosse isso, se formaria em um ano como seus maiores amigos.
Entre seus amigos, estavam os gêmeos, Pedro e Lucas, moravam na república Álibi, no início da faculdade, viveram uma espécie de triângulo amoroso com Diana, mas atualmente, eram apenas os melhores amigos. Pedro e Lucas como a maioria dos gêmeos univitelinos, eram opostos. Pedro era mais centrado, considerado um dos melhores alunos da universidade, era bolsista de pesquisa, monitor de disciplinas, estava sempre envolvido com atividades de extensão, exatamente por isso, vivia ás voltas com Diana cobrando mais aplicação nos estudos da amiga, esforço inútil, Diana queria protelar o quanto pudesse o término do curso, na esperança de ganhar tempo para que ela conseguisse se sustentar fazendo aquilo que gostava: fotografia. Lucas não era um aluno relapso, até por conta da influência do irmão, que era também seu melhor amigo, mas, tinha outras prioridades na vida, entre elas, curtir sua fase de farras tão próprias da faculdade, assim, se tornara um das principais companhias de Diana.
Na república, junto com Pedro e Lucas, moravam mais seis rapazes, todos do curso de direito. As festas de lá eram tradicionais no campus, eram as mais concorridas, as mais animadas e logicamente as mais loucas. Existia até uma série de relatos que se transformaram em lendas no campus de fatos ocorridos na república. Falava-se em orgias, em uso de drogas, em rituais, mas, a maioria desses relatos, não passavam de boatos, de mitos que os moradores da república alimentavam, mantendo a fama da república.
Os trotes semestrais eram atração à parte na Álibi. Esse semestre não seria diferente. Diana comandou o som da festa com sua animação típica e estilo peculiar, mas, seu trabalho na festa não a impedia de prestar atenção nas caras novas, no comportamento dos bichos e veteranos, e obviamente de lançar seu charme para quem a observava.
Natália era uma das que observava a DJ com atenção, mesmo sem saber o direito o porquê. Talvez por que o jeito estiloso da moça era a representação das pessoas que Natália esperava conviver, pessoas “da capital”, bem diferentes do estereótipo provinciano o qual ela estava acostumada toda sua vida ou talvez por que, a energia de Diana exercia uma atração diferente em Natália, sensação que a moça do interior não sabia explicar.
-- Ela é uma figura não é?
Pedro se aproximou de Natália olhando na mesma direção da moça.
-- A DJ? – Natália perguntou.
-- É Diana o nome dela.
-- Ela é muito boa.
Pedro sorriu acenando em acordo, mesmo entendendo o adjetivo com uma conotação diferente da que Natália usou.
-- Está bebendo o quê? – O rapaz perguntou.
-- Já bebi tanta coisa diferente que não sei te responder essa pergunta.
-- Sendo assim, quer uma cerveja?
-- Aceito.
Pedro voltou com uma latinha na mão e serviu a moça.
-- Pedro, morador desse hospício.
-- Natália, caloura querendo enlouquecer.
Nesse momento, a conversa casual, tomou ares de paquera. Pedro apesar da aparência do “politicamente correto” tinha seu charme. Sua beleza não passaria despercebida por nenhuma mulher, especialmente por Natália, mais desinibida pelo álcool. A pele morena daquele rapaz alto de olhos castanhos de barba rala agradou a caloura. Os dois emendaram o clima de flerte, em meio ao barulho dos estudantes protagonizando coreografias sensuais ou bizarras sobre a mesa da sala e aos muitos gritos de incentivo dos que assistiam.
Pedro não saiu do lado de Natália, de certa forma, a desinibição da moça ajudaria a contrabalancear sua timidez, assim, continuou a lhe oferecer bebidas, as quais a caloura não recusou. A proximidade dos dois chamou a atenção de Lucas, que não hesitou em fazer a brincadeira tão recorrente entre eles. Aproximou-se de Natália quando Pedro se afastou, fingindo já conhecê-la, se passando assim pelo irmão gêmeo.
-- Vamos dançar?
Obviamente Natália não notaria a diferença das roupas dos irmãos, aceitou o convite acreditando estar dançando com Pedro, sua companhia na noite. Lucas, bem mais ousado que o irmão colou seu corpo na cintura da moça, ensaiando passos sensuais, dominando a moça até roubar-lhe um beijo na pista. Natália não resistiu, o beijo arrancou aplausos, e o casal atraiu não só a atenção de Pedro que voltava inocente da cozinha, como também de Diana.
Pedro andou a passos rápidos até a pista de dança, afastando abruptamente o irmão de Natália:
-- Pow Lucas! De novo essa brincadeira sem graça?! Deixa de ser mané!
-- Calma Pepê!
Natália olhava atônita para os dois.
-- Gente, eu acho que bebi demais, estou vendo tudo em dobro...
Os dois irmãos continuavam se estranhando. Pedro ficou do lado de Natália tentando se desculpar pelo irmão:
-- Natália não liga, esse é meu irmão gêmeo, não é capaz de conquistar uma mulher e fica se aproveitando de nossa aparência idêntica...
-- Ah cala a boca Pedro! Até parece que preciso me passar por você pra conseguir mulher!
A animosidade entre os irmãos se acentuou até Diana largar a pick-up para intervir no desentendimento dos amigos.
-- Ei que porra é essa aqui? Vão brigar por mulher agora? Ficaram malucos?
Diana lançou dois petelecos na cabeça de ambos.
-- Ah Di, para vai! – Pediu Lucas.
-- Não quero um piu de nenhum dos dois agora! Dispersando now! Depois teremos um conselho de família, e as duas figurinhas repetidas vão fazer as pazes nem que seja na marra!
Lucas deu de ombros, deu um beijo no rosto de Diana e se afastou. A loira encarou Natália com faíscas de raiva no olhar, em seguida fez um sinal para Pedro com a cabeça e o rapaz se aproximou dela:
-- Desde quando uma caipira é motivo pra você brigar com seu irmão? Presta atenção seu Mané, olha nosso pacto! Família poxa!
Pedro balançou a cabeça positivamente, enquanto Diana voltava para a sua pick-up, dissipando aparentemente a situação estranha que se instalara. Entretanto, o incidente foi o suficiente para transformar Natália em principal alvo dos olhares e atenção de Diana o resto da noite. A DJ não admitia que nada abalasse a relação dos seus dois melhores amigos, esse foi um dos motivos do triângulo amoroso ter se desfeito, o fato de Natália ter sido o pivô da discussão de Lucas e Pedro, tornou a moça objeto de sua antipatia, e uma coisa era certa: coitada de quem Diana antipatizasse.
Diana observou Pedro e Natália perseverarem na paquera, na troca de carícias, e finalmente, seu amigo beijando a caloura ardentemente.
-- Pedro... Eu beijei seu irmão pensando que fosse você...
Natalia se justificou, colando a sua testa na testa de Pedro depois de afastarem as bocas.
-- Eu sei gatinha...
A raiva de Diana só aumentava à medida que Pedro e Natália pareciam mais íntimos. Cochichou alguma coisa com uma veterana e esta, “acidentalmente” esbarrou em Natália, banhando-a com vinho tinto.
-- Ai que desastre! Desculpa!
A moça se desculpou cinicamente.
-- Não tem problema...
Natalia minimizou o estrago.
-- Ai, mas, sujou tudo... Venha comigo, vamos tentar dar um jeito nisso.
A garota arrastou Natalia pela mão, subindo pelas escadas da república, e entraram em um dos quartos.
-- Tira o vestido, vou lavar essa mancha rapidinho e passo o ferro quente, vai dá pra você usar.
-- Não precisa... Está tudo bem...
-- Ai, eu não vou me perdoar se você perder esse vestido tão fofinho por causa dessa mancha!
Natalia cedeu, mais para não parecer antipática, do que pelo incomodo de ficar com a roupa suja. Enquanto a moça saiu com seu vestido para lavá-lo, Natalia ficou no quarto, trajando apenas um conjunto de calcinha e sutiã de algodão, com estampas infantilizadas.
De repente, um blecaute parou a festa. Escuridão. Natalia sozinha naquele quarto, só de roupas íntimas nada podia fazer que não fosse esperar, entretanto, a algazarra que se fez, em meio a passos apressados correndo pela casa e gritos:
-- É fogoooooooooooooo, salve-se quem puder!
A moça do interior se desesperou, e saiu correndo do quarto, quando descia às escadas a escuridão se desfez, e a claridade expôs Natália diante de todos, só de calcinha e sutiã, e o sonoro: - Hurruuull! – tomou de conta da república. O macharal em coro berrava elogios ao corpo da caloura completamente desorientada olhando para todos que riam, apontavam, ridicularizaram a menina.
Natalia subiu as escadas apressadamente fugindo do constrangimento, sendo seguida por Pedro. Os risos ecoavam em sua mente, e o olhar de escárnio de Diana tirou a paz e a alegria do momento da sua entrada na faculdade.
CAPÍTULO 3: A POSTERIORI
A posteriori: Depois. Método que conclui pelos efeitos e conseqüências. Que vem depois. Segundo os acontecimentos previstos. É a etapa do conhecimento que advém da experiência, verificado através de percepções sensoriais só alcançadas na prática.
Por Têmis
Como aparecer na faculdade depois do escândalo que protagonizou? Era o que Natália pensou quando o despertador tocou. Na noite anterior Natália fugiu do alarde causado sob a proteção de Pedro, que como cavalheiro que era, providenciou roupas para Natália vir para casa, e a acompanhou até o táxi.
Não conseguiu dormir relembrando os risos, os olhares, as gargalhadas, a imagem de uma pessoa em especial lhe incomodava: o rosto de Diana.
Pensou no seu sonho, lembrou-se do quanto se esforçara para estar ali, na confiança que os pais depositaram nela, e levantou-se da cama. Impôs a si mesma a obrigação de comer algo antes de enfrentar a maratona de duas conduções para chegar à faculdade. O táxi da noite anterior lhe custaria algumas semanas sem lanche.
Na faculdade, andou apressada, evitando olhar para os veteranos, não sabia ao certo quem estaria na república na festa do trote. Mas sua atitude não impediu os cochichos dos calouros quando a moça entrou na sala do primeiro semestre.
O pesadelo não podia ser pior. Maldita tecnologia e os serviços 24horas das grandes cidades. Algum desocupado fotografou a exibição forçada da caloura no trote em trajes íntimos e revelou o filme a tempo de fazer fotocópias e distribuí-las pelos corredores do curso de direito.
Natália olhou para a foto pasma, pálida, trêmula.
Seu primeiro impulso foi de levantar-se e correr, precisou reunir todas as forças para não fazê-lo, torcendo para que o professor logo chegasse encerrando os buchichos que ecoavam pela sala junto com os risos. Mas, Natália descobrira precocemente e no pior momento que na faculdade ninguém chega na hora, inclusive os professores.
Suportou o quanto pode, mas, a piada de um colega mais engraçadinho foi a gota dágua:
-- Aí coleguinha, a calcinha de ursinho foi feita à mão pela mamãe?
Natália ergueu-se repentinamente e saiu correndo da sala, e caminhou atordoada pelos corredores. Quando ouviu um grito:
-- Sai da frenteeeeeeee!
O aviso não chegou a tempo de Natalia se desviar da menina que berrava de cima do seu skate. Choque, desastre e as duas se espatifaram no chão. Enquanto se recompunha da queda ainda no chão, Natália indagou a skatista sem lhe olhar:
-- O que deu em você pra andar com isso em plena faculdade?
Natália só ouviu um sorriso sarcástico, ao fitar a skatista constatou de quem se tratava:
-- “Isso” é um meio de transporte não poluente, que além de implicar em atividade física, é também divertido! Se “isso” não existe no cafundó de onde você veio, “isso” se chama skate.
Diana se refestelava no chão usando seu tom mais esnobe olhando para Natalia.
-- Ah! Você não só é imprudente e mal educada andando com “isso” por aí, como também tem outro defeito que eu detesto: sarcasmo.
-- Escuta aqui sua caipira, você estragou a festa que passei semanas preparando, e acabou de acabar com minha manhã perfeita! Sabe de uma coisa: não gosto de você!
-- Nossa, você acabou de salvar meu dia! Você imagina que ontem, no meu primeiro contato com os alunos do curso o qual eu passei meu último ano ralando pra conseguir entrar, mudei minha vida, deixei minha casa, minha família, pra morar numa quitinete fedida menor que a dispensa da casa dos meus pais em nome desse sonho, e imagina só: na festa de comemoração com meus colegas, alguém resolve me fazer de palhaça, atração de circo ou seja lá o que, me expondo de calcinha e sutiã, e ainda fotografam isso e espalham pela faculdade, na minha primeira aula, eu dispensei minha ansiedade para fugir das piadas e risos, e sou atropelada por uma menininha petulante e irritante, mas veja só que maravilha de notícia ela me dá: ela não gosta de mim! Isso mudou minha vida! Salvou meu dia!
Diana bufou. Observou Natália se levantar furiosa. Conteve o riso e perguntou:
-- Posso perguntar uma coisa?
-- O quê?
Natália perguntou irritada, praticamente rosnando.
-- Você sempre acorda com esse bom humor?
Natália apertou as mãos e dessa vez rosnou. Recolheu suas coisas espalhadas, e caminhou em direção às escadas que davam acesso ao térreo. Parou quando ouviu Diana berrar mais uma vez:
-- Ei, ow caipira!
Natália bateu a mão na perna, expressando sua irritação.
-- Fala!
-- Onde você está indo? O primeiro semestre é nesse andar!
-- Não tenho a menor condição de assistir aula ouvindo as piadinhas e aquelas fotos percorrendo a sala, já pensou se o professor pegar uma delas?
-- Você estava falando sério com esse lance das fotos?
-- Por que eu inventaria isso ow gênio? – Natalia revirou os olhos.
-- Mas eu não... – Calou-se antes de confessar sua participação no episódio da noite anterior – Se eu fosse você, eu não perderia a primeira aula da Mandimbú.
-- Han?
-- É... Aquele personagem de desenho animado... De Dragon Ball Z, não tem TV na cidade que você veio?
-- Garota deixa de ser ridícula! Minha cidade fica a poucas horas daqui!
-- Então, conhece o personagem? Esse é o nome que batizei a professora de Introdução ao Estudo do Direito.
-- Vou ter que conter minha curiosidade para conhecer essa figura dantesca que você está me descrevendo. Não conseguiria ficar naquela sala hoje.
-- Nunca ouviu falar que notícia de hoje embala o peixe amanhã? Você não é tão importante assim, já deu tempo esquecerem você. Venha assistir aula, assim você começa logo a se decepcionar com esse mundo de leis sem noção.
Natália estranhou o empenho de Diana em dissuadi-la da idéia de não assistir aula.
-- Por que você continua fazendo direito se acredita que as leis são sem noção?
-- Você acabou de entrar nessa faculdade, acha que vai ter respostas pra dilemas tão complexos como esse? Você ainda é bicho! Primeiro passo para entender é assistir meu duelo com a Mandimbú, vamos?
-- Espera aí... Você faz aula no primeiro período? – Natália perguntou surpresa.
-- Sou uma pessoa de coração enorme, permeio todos os semestres do curso com minha energia superior, com a luz do meu conhecimento... Aproveite essa generosidade em compartilhar minha sabedoria com vocês, meros bichos, e vamos logo antes que cheguemos depois de Mandimbú, você não ia querer atrair a atenção dela, acredite!
* lei do lugar da celebração – Quando da celebração de algum ato, as suas formalidades são regidas pelas leis vigentes no lugar da celebração.
Por Têmis
Diana era a popularidade em pessoa. Não só pela função que desempenhava nas festas do curso como organizadora e DJ, mas pela simpatia e liderança que exibia. Era veterana do curso de direito, mas nem um pouco compromissada com os estudos. Pagava disciplinas em praticamente todos os períodos do curso, não fosse isso, se formaria em um ano como seus maiores amigos.
Entre seus amigos, estavam os gêmeos, Pedro e Lucas, moravam na república Álibi, no início da faculdade, viveram uma espécie de triângulo amoroso com Diana, mas atualmente, eram apenas os melhores amigos. Pedro e Lucas como a maioria dos gêmeos univitelinos, eram opostos. Pedro era mais centrado, considerado um dos melhores alunos da universidade, era bolsista de pesquisa, monitor de disciplinas, estava sempre envolvido com atividades de extensão, exatamente por isso, vivia ás voltas com Diana cobrando mais aplicação nos estudos da amiga, esforço inútil, Diana queria protelar o quanto pudesse o término do curso, na esperança de ganhar tempo para que ela conseguisse se sustentar fazendo aquilo que gostava: fotografia. Lucas não era um aluno relapso, até por conta da influência do irmão, que era também seu melhor amigo, mas, tinha outras prioridades na vida, entre elas, curtir sua fase de farras tão próprias da faculdade, assim, se tornara um das principais companhias de Diana.
Na república, junto com Pedro e Lucas, moravam mais seis rapazes, todos do curso de direito. As festas de lá eram tradicionais no campus, eram as mais concorridas, as mais animadas e logicamente as mais loucas. Existia até uma série de relatos que se transformaram em lendas no campus de fatos ocorridos na república. Falava-se em orgias, em uso de drogas, em rituais, mas, a maioria desses relatos, não passavam de boatos, de mitos que os moradores da república alimentavam, mantendo a fama da república.
Os trotes semestrais eram atração à parte na Álibi. Esse semestre não seria diferente. Diana comandou o som da festa com sua animação típica e estilo peculiar, mas, seu trabalho na festa não a impedia de prestar atenção nas caras novas, no comportamento dos bichos e veteranos, e obviamente de lançar seu charme para quem a observava.
Natália era uma das que observava a DJ com atenção, mesmo sem saber o direito o porquê. Talvez por que o jeito estiloso da moça era a representação das pessoas que Natália esperava conviver, pessoas “da capital”, bem diferentes do estereótipo provinciano o qual ela estava acostumada toda sua vida ou talvez por que, a energia de Diana exercia uma atração diferente em Natália, sensação que a moça do interior não sabia explicar.
-- Ela é uma figura não é?
Pedro se aproximou de Natália olhando na mesma direção da moça.
-- A DJ? – Natália perguntou.
-- É Diana o nome dela.
-- Ela é muito boa.
Pedro sorriu acenando em acordo, mesmo entendendo o adjetivo com uma conotação diferente da que Natália usou.
-- Está bebendo o quê? – O rapaz perguntou.
-- Já bebi tanta coisa diferente que não sei te responder essa pergunta.
-- Sendo assim, quer uma cerveja?
-- Aceito.
Pedro voltou com uma latinha na mão e serviu a moça.
-- Pedro, morador desse hospício.
-- Natália, caloura querendo enlouquecer.
Nesse momento, a conversa casual, tomou ares de paquera. Pedro apesar da aparência do “politicamente correto” tinha seu charme. Sua beleza não passaria despercebida por nenhuma mulher, especialmente por Natália, mais desinibida pelo álcool. A pele morena daquele rapaz alto de olhos castanhos de barba rala agradou a caloura. Os dois emendaram o clima de flerte, em meio ao barulho dos estudantes protagonizando coreografias sensuais ou bizarras sobre a mesa da sala e aos muitos gritos de incentivo dos que assistiam.
Pedro não saiu do lado de Natália, de certa forma, a desinibição da moça ajudaria a contrabalancear sua timidez, assim, continuou a lhe oferecer bebidas, as quais a caloura não recusou. A proximidade dos dois chamou a atenção de Lucas, que não hesitou em fazer a brincadeira tão recorrente entre eles. Aproximou-se de Natália quando Pedro se afastou, fingindo já conhecê-la, se passando assim pelo irmão gêmeo.
-- Vamos dançar?
Obviamente Natália não notaria a diferença das roupas dos irmãos, aceitou o convite acreditando estar dançando com Pedro, sua companhia na noite. Lucas, bem mais ousado que o irmão colou seu corpo na cintura da moça, ensaiando passos sensuais, dominando a moça até roubar-lhe um beijo na pista. Natália não resistiu, o beijo arrancou aplausos, e o casal atraiu não só a atenção de Pedro que voltava inocente da cozinha, como também de Diana.
Pedro andou a passos rápidos até a pista de dança, afastando abruptamente o irmão de Natália:
-- Pow Lucas! De novo essa brincadeira sem graça?! Deixa de ser mané!
-- Calma Pepê!
Natália olhava atônita para os dois.
-- Gente, eu acho que bebi demais, estou vendo tudo em dobro...
Os dois irmãos continuavam se estranhando. Pedro ficou do lado de Natália tentando se desculpar pelo irmão:
-- Natália não liga, esse é meu irmão gêmeo, não é capaz de conquistar uma mulher e fica se aproveitando de nossa aparência idêntica...
-- Ah cala a boca Pedro! Até parece que preciso me passar por você pra conseguir mulher!
A animosidade entre os irmãos se acentuou até Diana largar a pick-up para intervir no desentendimento dos amigos.
-- Ei que porra é essa aqui? Vão brigar por mulher agora? Ficaram malucos?
Diana lançou dois petelecos na cabeça de ambos.
-- Ah Di, para vai! – Pediu Lucas.
-- Não quero um piu de nenhum dos dois agora! Dispersando now! Depois teremos um conselho de família, e as duas figurinhas repetidas vão fazer as pazes nem que seja na marra!
Lucas deu de ombros, deu um beijo no rosto de Diana e se afastou. A loira encarou Natália com faíscas de raiva no olhar, em seguida fez um sinal para Pedro com a cabeça e o rapaz se aproximou dela:
-- Desde quando uma caipira é motivo pra você brigar com seu irmão? Presta atenção seu Mané, olha nosso pacto! Família poxa!
Pedro balançou a cabeça positivamente, enquanto Diana voltava para a sua pick-up, dissipando aparentemente a situação estranha que se instalara. Entretanto, o incidente foi o suficiente para transformar Natália em principal alvo dos olhares e atenção de Diana o resto da noite. A DJ não admitia que nada abalasse a relação dos seus dois melhores amigos, esse foi um dos motivos do triângulo amoroso ter se desfeito, o fato de Natália ter sido o pivô da discussão de Lucas e Pedro, tornou a moça objeto de sua antipatia, e uma coisa era certa: coitada de quem Diana antipatizasse.
Diana observou Pedro e Natália perseverarem na paquera, na troca de carícias, e finalmente, seu amigo beijando a caloura ardentemente.
-- Pedro... Eu beijei seu irmão pensando que fosse você...
Natalia se justificou, colando a sua testa na testa de Pedro depois de afastarem as bocas.
-- Eu sei gatinha...
A raiva de Diana só aumentava à medida que Pedro e Natália pareciam mais íntimos. Cochichou alguma coisa com uma veterana e esta, “acidentalmente” esbarrou em Natália, banhando-a com vinho tinto.
-- Ai que desastre! Desculpa!
A moça se desculpou cinicamente.
-- Não tem problema...
Natalia minimizou o estrago.
-- Ai, mas, sujou tudo... Venha comigo, vamos tentar dar um jeito nisso.
A garota arrastou Natalia pela mão, subindo pelas escadas da república, e entraram em um dos quartos.
-- Tira o vestido, vou lavar essa mancha rapidinho e passo o ferro quente, vai dá pra você usar.
-- Não precisa... Está tudo bem...
-- Ai, eu não vou me perdoar se você perder esse vestido tão fofinho por causa dessa mancha!
Natalia cedeu, mais para não parecer antipática, do que pelo incomodo de ficar com a roupa suja. Enquanto a moça saiu com seu vestido para lavá-lo, Natalia ficou no quarto, trajando apenas um conjunto de calcinha e sutiã de algodão, com estampas infantilizadas.
De repente, um blecaute parou a festa. Escuridão. Natalia sozinha naquele quarto, só de roupas íntimas nada podia fazer que não fosse esperar, entretanto, a algazarra que se fez, em meio a passos apressados correndo pela casa e gritos:
-- É fogoooooooooooooo, salve-se quem puder!
A moça do interior se desesperou, e saiu correndo do quarto, quando descia às escadas a escuridão se desfez, e a claridade expôs Natália diante de todos, só de calcinha e sutiã, e o sonoro: - Hurruuull! – tomou de conta da república. O macharal em coro berrava elogios ao corpo da caloura completamente desorientada olhando para todos que riam, apontavam, ridicularizaram a menina.
Natalia subiu as escadas apressadamente fugindo do constrangimento, sendo seguida por Pedro. Os risos ecoavam em sua mente, e o olhar de escárnio de Diana tirou a paz e a alegria do momento da sua entrada na faculdade.
CAPÍTULO 3: A POSTERIORI
A posteriori: Depois. Método que conclui pelos efeitos e conseqüências. Que vem depois. Segundo os acontecimentos previstos. É a etapa do conhecimento que advém da experiência, verificado através de percepções sensoriais só alcançadas na prática.
Por Têmis
Como aparecer na faculdade depois do escândalo que protagonizou? Era o que Natália pensou quando o despertador tocou. Na noite anterior Natália fugiu do alarde causado sob a proteção de Pedro, que como cavalheiro que era, providenciou roupas para Natália vir para casa, e a acompanhou até o táxi.
Não conseguiu dormir relembrando os risos, os olhares, as gargalhadas, a imagem de uma pessoa em especial lhe incomodava: o rosto de Diana.
Pensou no seu sonho, lembrou-se do quanto se esforçara para estar ali, na confiança que os pais depositaram nela, e levantou-se da cama. Impôs a si mesma a obrigação de comer algo antes de enfrentar a maratona de duas conduções para chegar à faculdade. O táxi da noite anterior lhe custaria algumas semanas sem lanche.
Na faculdade, andou apressada, evitando olhar para os veteranos, não sabia ao certo quem estaria na república na festa do trote. Mas sua atitude não impediu os cochichos dos calouros quando a moça entrou na sala do primeiro semestre.
O pesadelo não podia ser pior. Maldita tecnologia e os serviços 24horas das grandes cidades. Algum desocupado fotografou a exibição forçada da caloura no trote em trajes íntimos e revelou o filme a tempo de fazer fotocópias e distribuí-las pelos corredores do curso de direito.
Natália olhou para a foto pasma, pálida, trêmula.
Seu primeiro impulso foi de levantar-se e correr, precisou reunir todas as forças para não fazê-lo, torcendo para que o professor logo chegasse encerrando os buchichos que ecoavam pela sala junto com os risos. Mas, Natália descobrira precocemente e no pior momento que na faculdade ninguém chega na hora, inclusive os professores.
Suportou o quanto pode, mas, a piada de um colega mais engraçadinho foi a gota dágua:
-- Aí coleguinha, a calcinha de ursinho foi feita à mão pela mamãe?
Natália ergueu-se repentinamente e saiu correndo da sala, e caminhou atordoada pelos corredores. Quando ouviu um grito:
-- Sai da frenteeeeeeee!
O aviso não chegou a tempo de Natalia se desviar da menina que berrava de cima do seu skate. Choque, desastre e as duas se espatifaram no chão. Enquanto se recompunha da queda ainda no chão, Natália indagou a skatista sem lhe olhar:
-- O que deu em você pra andar com isso em plena faculdade?
Natália só ouviu um sorriso sarcástico, ao fitar a skatista constatou de quem se tratava:
-- “Isso” é um meio de transporte não poluente, que além de implicar em atividade física, é também divertido! Se “isso” não existe no cafundó de onde você veio, “isso” se chama skate.
Diana se refestelava no chão usando seu tom mais esnobe olhando para Natalia.
-- Ah! Você não só é imprudente e mal educada andando com “isso” por aí, como também tem outro defeito que eu detesto: sarcasmo.
-- Escuta aqui sua caipira, você estragou a festa que passei semanas preparando, e acabou de acabar com minha manhã perfeita! Sabe de uma coisa: não gosto de você!
-- Nossa, você acabou de salvar meu dia! Você imagina que ontem, no meu primeiro contato com os alunos do curso o qual eu passei meu último ano ralando pra conseguir entrar, mudei minha vida, deixei minha casa, minha família, pra morar numa quitinete fedida menor que a dispensa da casa dos meus pais em nome desse sonho, e imagina só: na festa de comemoração com meus colegas, alguém resolve me fazer de palhaça, atração de circo ou seja lá o que, me expondo de calcinha e sutiã, e ainda fotografam isso e espalham pela faculdade, na minha primeira aula, eu dispensei minha ansiedade para fugir das piadas e risos, e sou atropelada por uma menininha petulante e irritante, mas veja só que maravilha de notícia ela me dá: ela não gosta de mim! Isso mudou minha vida! Salvou meu dia!
Diana bufou. Observou Natália se levantar furiosa. Conteve o riso e perguntou:
-- Posso perguntar uma coisa?
-- O quê?
Natália perguntou irritada, praticamente rosnando.
-- Você sempre acorda com esse bom humor?
Natália apertou as mãos e dessa vez rosnou. Recolheu suas coisas espalhadas, e caminhou em direção às escadas que davam acesso ao térreo. Parou quando ouviu Diana berrar mais uma vez:
-- Ei, ow caipira!
Natália bateu a mão na perna, expressando sua irritação.
-- Fala!
-- Onde você está indo? O primeiro semestre é nesse andar!
-- Não tenho a menor condição de assistir aula ouvindo as piadinhas e aquelas fotos percorrendo a sala, já pensou se o professor pegar uma delas?
-- Você estava falando sério com esse lance das fotos?
-- Por que eu inventaria isso ow gênio? – Natalia revirou os olhos.
-- Mas eu não... – Calou-se antes de confessar sua participação no episódio da noite anterior – Se eu fosse você, eu não perderia a primeira aula da Mandimbú.
-- Han?
-- É... Aquele personagem de desenho animado... De Dragon Ball Z, não tem TV na cidade que você veio?
-- Garota deixa de ser ridícula! Minha cidade fica a poucas horas daqui!
-- Então, conhece o personagem? Esse é o nome que batizei a professora de Introdução ao Estudo do Direito.
-- Vou ter que conter minha curiosidade para conhecer essa figura dantesca que você está me descrevendo. Não conseguiria ficar naquela sala hoje.
-- Nunca ouviu falar que notícia de hoje embala o peixe amanhã? Você não é tão importante assim, já deu tempo esquecerem você. Venha assistir aula, assim você começa logo a se decepcionar com esse mundo de leis sem noção.
Natália estranhou o empenho de Diana em dissuadi-la da idéia de não assistir aula.
-- Por que você continua fazendo direito se acredita que as leis são sem noção?
-- Você acabou de entrar nessa faculdade, acha que vai ter respostas pra dilemas tão complexos como esse? Você ainda é bicho! Primeiro passo para entender é assistir meu duelo com a Mandimbú, vamos?
-- Espera aí... Você faz aula no primeiro período? – Natália perguntou surpresa.
-- Sou uma pessoa de coração enorme, permeio todos os semestres do curso com minha energia superior, com a luz do meu conhecimento... Aproveite essa generosidade em compartilhar minha sabedoria com vocês, meros bichos, e vamos logo antes que cheguemos depois de Mandimbú, você não ia querer atrair a atenção dela, acredite!
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Novo Conto: Leis do Destino
Esse romance é dividido em duas fases.
1º CAPÍTULO
Fumus Bonis Juris
** Fumus Boni Iuris – a fumaça do bom direito, um dos requisitos a ser preenchido quando se busca a antecipação de tutela – decisão de caráter provisório – a fim de se evitar danos irreparáveis até o julgamento final da lide. … a presença de fortes indícios de que se tem um determinado direito alegado, mas cuja situação de fato ainda precisa ser comprovada.
Por: Têmis
Finalmente Natalia viu seu nome no listão da FUVEST. Foram dois anos de dedicação exclusiva a maratonas exaustivas de cursinhos pré-vestibulares de matérias específicas, inúmeros simulados, horas infindáveis de mergulho em apostilas, livros, provas e bizus de vestibulares, o desafio de decorar fórmulas indecifráveis e inúteis fora vencido e o grande sonho da menina do interior finalmente se iniciara: cursar direito na Universidade de São Paulo.
Natalia não se conformaria com nada menos do que um dos melhores cursos de Direito do país, por isso, não iniciara antes sua graduação quando conseguiu aprovação em outras faculdades do Brasil. Para alcançar seu objetivo, abdicou a vida social, até mesmo de qualquer diversão por mais inocente que fosse, e isso não foi tarefa fácil. Nunca fora a mais popular da escola, mas seu jeito descontraído atraiu boas amizades as quais foram responsáveis pelas maiores aventuras na vida da jovem morena de olhos verdes.
Também nunca aceitou a condição de certinha, de CDF. O que lhe definia melhor era a palavra determinação. Nisso ela exibia orgulho. Até aquela fase de sua vida comemorava satisfeita o mérito de sempre ter conseguido tudo o que queria. Suas conquistas nunca vieram fáceis, mas sim, à custa de muito esforço o que lhe dava ainda mais garra para continuar na sua obstinação. Assim foi para conseguir a bolsa de estudos no melhor colégio da cidade, nos cursinhos particulares, nas premiações das olimpíadas escolares. Quando seus pais não dispunham de recursos para lhe patrocinar uma viagem, uma festa, a menina não tinha medo de encarar o batente depois das aulas e conseguir o dinheiro para o que precisava. Foi assim também que conseguiu luxos para uma menina como ela: computador, celular moderno, essas coisas que adolescentes classificam como fundamentais eram sempre oferecidos em concursos de redação, olimpíadas de matemática, as quais Natalia participava com a certeza que conseguiria arrematar os prêmios.
O jeito firme de encarar a vida era motivo de orgulho para os pais da moça. Era a segunda filha de uma família simples de três filhos. O irmão mais velho casara precocemente depois de engravidar a namorada, no interior ainda se preserva o costume de honrar as moças de família com o casamento quando “defloradas”. A irmã mais nova era a caçula tipicamente mimada, nasceu em uma fase mais branda da vida financeira apertada da família, talvez por isso não se sentisse na obrigação de lutar tanto por algo como Natalia estava habituada.
Os pais, o senhor Álvaro e dona Fátima eram comerciantes conhecidos na cidade. Proprietários de uma loja de material de construção viram sua vida financeira melhorar com os incentivos do governo no setor habitacional nos últimos dois anos, fato que pode proporcionar a condição para manter sua filha estudando na capital em condições razoáveis.
Depois das comemorações pelo ingresso na USP, as energias de Natalia se concentraram em achar um bom lugar para morar, de preferência perto do campus, já que não conhecia a maior metrópole do país e aquele medinho de menina do interior dos perigos das grandes cidades por mais escondido que estivesse, residia nela. Seu pai acompanhou-a até São Paulo quando Natalia foi matricular-se, aproveitaram para procurar um apartamento, perto do campus os preços absurdos por uma quitinete simples alarmaram o modesto comerciante.
-- Minha querida, eu não imaginei que fosse tão caro! Não posso arcar com esse valor só de aluguel, ainda tem taxa de condomínio e o dinheiro que preciso enviar para você se manter aqui!
No fundo Natalia concordava com o pai, mas se ressentia pelo fato de não ter dado despesas nos últimos anos e por quase nunca pedir dinheiro, uma vez que até os estudos em colégios particulares, conseguira bolsa de estudos, e quando dependia exclusivamente do dinheiro dos pais para continuar seu sonho, seu pai lhe mostrara o limite.
-- Vou procurar vaga na casa de estudantes pai, não se preocupe.
Com o olhar condoído o senhor Álvaro acompanhou a filha para conhecer as acomodações da casa de estudante, e não gostou do que viu. Por mais simples que fosse nunca deixara faltar nada para sua filha, e deixar que ela residisse naquela casa sem o menor conforto e privacidade nem de longe era o que ele desejava para sua querida Natália.
-- Não minha filha, aqui você não fica! Vamos procurar outro lugar para você, nem que seja mais longe daqui.
E assim, pai e filha peregrinaram pela cidade até encontrar um quarto e sala mobiliados, com um preço acessível, superior aos planos do senhor Álvaro, mas acabou cedendo diante da expressão angustiada da filha.
Dois meses depois Natalia chegava de mala e cuia em São Paulo. Primeiro passo de uma longa trajetória, minuciosamente planejada. Não que fosse uma apaixonada por leis e tribunais, bem verdade que isso também lhe atraía, entretanto, a vontade obstinada de sair daquela cidadezinha do interior e batalhar sua independência era o sonho de Natália desde que se deu conta que aquele marasmo não cabia no seu futuro.
Arrumou tudo do seu jeito caprichado. As dezenas de “tuppeware” amontoados em caixas que dona Fátima fez questão de comprar para o novo cantinho da filha até pareciam charmosos nos armários enferrujados da cozinha. Natalia era pura ansiedade, tinha as melhores expectativas, os planos mais extraordinários para sua nova vida. A ansiedade era tanta que dormir foi tarefa difícil para a caloura.
******
O campus estava lotado, certamente na maioria eram calouros, veterano nunca aparece no primeiro dia de aula, exceto aqueles que desejavam aplicar trote nos “bichos”.
Medo, euforia, desorientação, ansiedade.
Tudo misturado.
Natália experimentou aquele turbilhão de emoções enquanto adentrava pelos portões da universidade à procura do prédio do curso de direito. Encontrar alguém disposto a lhe dar uma informação ali foi difícil, mas arriscou se orientar pelas placas do campus.
O salão de atos estava lotado, o curso de direito era um dos poucos que mantinha a tradição de reunir os discentes na aula inaugural de cada semestre. O desembargador aposentado Jorge Campos proferiu a aula inaugural, depois de se afastar das atividades de desembargador, dedicava-se à docência na universidade que o formou.
Natalia escutou atenta, se lamentando por não poder copiar no caderno tudo que o famoso jurista relatava. Estava realizada, experimentou a sensação de ter escolhido o curso certo, sim seu esforço valeu à pena.
Na saída do salão de atos estranhou a disposição dos alunos encostados lateralmente fazendo um corredor humano, quando associou o que poderia ser aquilo, não tinha como escapar, os veteranos pegaram os calouros para o famoso trote.
O amontoado de alunos espremidos e amarrados por um cordão se transformou em alvo para bexigas cheias de água e tintas, depois de ser coberta por tintas de todas as cores, Natalia relaxou e entrou na brincadeira, o que foi fundamental para se enturmar com calouros e veteranos.
-- Ok bicharada! Segunda parte do trote na república Álibi! – Berrou um estudante mais animado.
Natalia já estava empolgada o suficiente para aceitar convite até pra beber em bar no morro em meio a um tiroteio. Não permitiu que seus receios de menina do interior a impedissem de se envolver nesse mundo novo.
A república Álibi era um sobrado, localizado a poucos quarteirões do campus. Estava lotado como era de se esperar num dia de trote. Natalia se entregou à farra, aceitando todo tipo de bebida que lhe oferecessem. De repente o batido de uma colher no fundo de uma panela convocou o silêncio:
-- Aí galera, aí bicharada, a nossa DJ chegou!
Todos dirigiram os olhares à moça estilosa que exibia pose de estrela acenando para a platéia: loira de cabelos curtos, magra, cheia de estilo com calças folgadas e camiseta colada mostrando sua barriguinha bem definida, na cabeça um chapéu branco Panamá era um charme a mais no seu visual. Diana era seu nome, a DJ distribuiu simpatia montando sua pick-up improvisada, encantando veteranos e calouros, uma em especial: Natália.
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Sociedade Secreta Lesbos: Capítulo 32
Capítulo 32
-- Boa tarde Sra. Anderson.
-- Você? O que está fazendo aqui?
-- Acho que temos assuntos a tratar... Posso entrar?
Ao ouvir a voz de Esther, Ellen escondeu-se no banheiro da suíte deixando a porta entreaberta, uma vez que ouvir aquela conversa, era do interesse dela.
Esther entrou no quarto, enquanto Sandra a acompanhava com os olhos, avaliando-a em cada minúcia:
-- Não posso imaginar o que você quer conversar comigo, menina!
-- Notei que não aprovou a vida de Amy aqui, e como conheço pessoas como a senhora, achei justo comunicar que não vou permitir que mesmo sendo sua mãe, estrague a felicidade dela.
-- Mas que petulância! Você não pode se meter assim da vida de minha filha sua...
-- O quê?
-- Ora, menina... Você não tem nada o que fazer aqui... Por favor, retire-se!
-- Sra. Anderson, não pense que a senhora pode pisar em mim como fez com minha mãe...
-- Sua mãe? Do que você está falando?
- Minha mãe, que a senhora conheceu tão bem: Carmem Gonzalez.
Sandra Anderson pareceu ouvir um nome amaldiçoado. A cor sumiu de seu rosto, os olhos verdes arregalaram-se numa expressão de espanto. Com a voz trêmula, Sandra indagou:
-- Mas... Não sabia que você ainda estava viva... Depois do acidente... As informações que tive é que não houve sobreviventes...
-- Meu pai me tirou do carro, quando voltou para tentar salvar o tio Joseph, o carro explodiu e...
-- Wiliam morreu...
-- É... Assisti tudo... Não pude fazer nada... Caminhei pela estrada, fui resgatada por um padre de uma capela próxima, como não tinha mais ninguém para cuidar de mim, fiquei no orfanato que o mesmo padre administrava. Por muito tempo ninguém me procurou, só 5 anos depois meu avô Antonio me encontrou e me tirou do orfanato.
Sandra Anderson sentou-se com os olhos marejados, chocada com o que estava ouvindo. Olhou para Esther dessa vez com mais atenção e menos raiva, e comentou:
-- Olhando bem pra você... Não há como negar... Lembra muito sua mãe, mas seus olhos são iguais aos de Wiliam... Mas, por que você não procurou nossa família... Você tem direitos...
-- Não quero nada da sua família... Você e os Anderson já fizeram mal o suficiente para minha mãe e para mim também.
-- Esther... Eu... Não sei o que dizer, mas... Sua mãe também me fez muito mal... Apenas me defendi...
-- Sra. Anderson, não vai falar da minha mãe... Ela está morta! Agora sim não temos mais nada a dizer, já avisei, respeite as decisões de sua filha...
Esther saiu segurando o choro, não permitiria que Sandra Anderson a visse desabar. Esta, por sua vez, sentia suas carnes tremerem, tamanho o abalo por ter encontrado um pedaço do seu passado na filha de Carmem Gonzalez, filha a qual Sandra julgava ter morrido no acidente de carro no qual Wiliam e Joseph Anderson morreram há mais de dez anos.
Ellen ainda digeria o que acabara de ouvir, maquinando como aquela informação seria útil para seus planos. Saiu do banheiro encontrando Sandra atônita, trouxe-lhe um copo de água e perguntou:
-- A senhora está bem?
-- Sim... Só um pouco surpresa... Ellen, peço que espere um pouco para colocar em ação esse seu plano... Entrarei em contato, agora, por favor, me deixe sozinha.
Na mansão gama-tau, Amy subiu as escadas às pressas à procura de Esther, frustrou-se ao não encontrar sua amada em seu quarto. As outras irmãs de fraternidade foram as primeiras a ver seu presente, vibraram junto com Amy, que se impacientava por Esther não chegar logo. Passada quase uma hora, o coração de Amy acelerou ao ouvir o ronco da motocicleta de Esther se aproximar, e correu em direção a morena tão logo ela estacionou:
-- Minha linda, olha o que eu ganhei!
Esther sorriu amarelo sem conseguir disfarçar seu abalo, mas não podia contar o motivo para Amy, respondeu desanimada:
-- Que bom, linda, você merece...
-- Ah, vamos lá, estava te esperando pra dar uma volta comigo... Estrear meu carro novo, vamos?
-- Amy, desculpe-me, não estou me sentindo muito bem, vamos deixar pra outro dia?
-- Mas, Esther, estava só esperando você...
-- Desculpa, Amy...
A morena entrou na mansão sem olhar para trás, subiu direto para o seu estúdio, sentou em frente ao piano e uma canção triste, conhecida das veteranas soou pela casa.
Rachel reconhecia de longe aquela música, era uma composição de Esther para seus pais, logo deduziu que algo despertara as lembranças do seu passado trágico.
Amy perdeu toda empolgação com a frieza de Esther, já estava nas escadas, quando Laurel a chamou:
-- Amy... Quero estrear o seu presente, vamos lá...
-- Ah, irmã... Fica pra outro dia, vou ver o que Esther tem, ela estava estranha.
-- Uma dica: está ouvindo essa música?
-- Sim... Vem do estúdio, deve ser Esther tocando... Vou subir.
-- Amy, a Esther sempre toca quando quer ficar sozinha; essa música, ela fez para seus pais.
-- E o que tem de triste nisso?
-- Amy... Você não sabe? Esther perdeu os pais ainda criança, primeiro a mãe, de a um câncer, depois seu pai em um acidente.
-- Bom... Sabia que ela havia perdido o pai, já que o barco é herança dele... Mas não sabia que havia sido tragicamente assim... Nossa, não sei quase nada dela... E estou assim, tão apaixonada...
O rosto de Lauren parecia encher-se de tristeza ao ouvir isso da loirinha, e retrucou:
-- Apaixonada? Mas... Pensei que fosse tudo apenas uma provocação...
-- No começo sim, Laurel... Mas agora... Até enfrentei minha mãe, e revelei que estou apaixonada por Esther.
A ruiva tentou disfarçar, mas a decepção no seu rosto era evidente. Pediu licença a Amy reiterando o conselho de deixar Esther sozinha, e saiu da mansão caminhando sem destino pelas ruas das fraternidades. Uma cena chamou-lhe a atenção: Ellen conversando intimamente com uma das meninas da fraternidade, uma das muitas que Esther já teve caso... A cena era incomum uma vez que para ambas estarem conversando fora da mansão, deveria ser mesmo algo muito secreto que nem as irmãs de fraternidade poderiam desconfiar.
-- Boa tarde Sra. Anderson.
-- Você? O que está fazendo aqui?
-- Acho que temos assuntos a tratar... Posso entrar?
Ao ouvir a voz de Esther, Ellen escondeu-se no banheiro da suíte deixando a porta entreaberta, uma vez que ouvir aquela conversa, era do interesse dela.
Esther entrou no quarto, enquanto Sandra a acompanhava com os olhos, avaliando-a em cada minúcia:
-- Não posso imaginar o que você quer conversar comigo, menina!
-- Notei que não aprovou a vida de Amy aqui, e como conheço pessoas como a senhora, achei justo comunicar que não vou permitir que mesmo sendo sua mãe, estrague a felicidade dela.
-- Mas que petulância! Você não pode se meter assim da vida de minha filha sua...
-- O quê?
-- Ora, menina... Você não tem nada o que fazer aqui... Por favor, retire-se!
-- Sra. Anderson, não pense que a senhora pode pisar em mim como fez com minha mãe...
-- Sua mãe? Do que você está falando?
- Minha mãe, que a senhora conheceu tão bem: Carmem Gonzalez.
Sandra Anderson pareceu ouvir um nome amaldiçoado. A cor sumiu de seu rosto, os olhos verdes arregalaram-se numa expressão de espanto. Com a voz trêmula, Sandra indagou:
-- Mas... Não sabia que você ainda estava viva... Depois do acidente... As informações que tive é que não houve sobreviventes...
-- Meu pai me tirou do carro, quando voltou para tentar salvar o tio Joseph, o carro explodiu e...
-- Wiliam morreu...
-- É... Assisti tudo... Não pude fazer nada... Caminhei pela estrada, fui resgatada por um padre de uma capela próxima, como não tinha mais ninguém para cuidar de mim, fiquei no orfanato que o mesmo padre administrava. Por muito tempo ninguém me procurou, só 5 anos depois meu avô Antonio me encontrou e me tirou do orfanato.
Sandra Anderson sentou-se com os olhos marejados, chocada com o que estava ouvindo. Olhou para Esther dessa vez com mais atenção e menos raiva, e comentou:
-- Olhando bem pra você... Não há como negar... Lembra muito sua mãe, mas seus olhos são iguais aos de Wiliam... Mas, por que você não procurou nossa família... Você tem direitos...
-- Não quero nada da sua família... Você e os Anderson já fizeram mal o suficiente para minha mãe e para mim também.
-- Esther... Eu... Não sei o que dizer, mas... Sua mãe também me fez muito mal... Apenas me defendi...
-- Sra. Anderson, não vai falar da minha mãe... Ela está morta! Agora sim não temos mais nada a dizer, já avisei, respeite as decisões de sua filha...
Esther saiu segurando o choro, não permitiria que Sandra Anderson a visse desabar. Esta, por sua vez, sentia suas carnes tremerem, tamanho o abalo por ter encontrado um pedaço do seu passado na filha de Carmem Gonzalez, filha a qual Sandra julgava ter morrido no acidente de carro no qual Wiliam e Joseph Anderson morreram há mais de dez anos.
Ellen ainda digeria o que acabara de ouvir, maquinando como aquela informação seria útil para seus planos. Saiu do banheiro encontrando Sandra atônita, trouxe-lhe um copo de água e perguntou:
-- A senhora está bem?
-- Sim... Só um pouco surpresa... Ellen, peço que espere um pouco para colocar em ação esse seu plano... Entrarei em contato, agora, por favor, me deixe sozinha.
Na mansão gama-tau, Amy subiu as escadas às pressas à procura de Esther, frustrou-se ao não encontrar sua amada em seu quarto. As outras irmãs de fraternidade foram as primeiras a ver seu presente, vibraram junto com Amy, que se impacientava por Esther não chegar logo. Passada quase uma hora, o coração de Amy acelerou ao ouvir o ronco da motocicleta de Esther se aproximar, e correu em direção a morena tão logo ela estacionou:
-- Minha linda, olha o que eu ganhei!
Esther sorriu amarelo sem conseguir disfarçar seu abalo, mas não podia contar o motivo para Amy, respondeu desanimada:
-- Que bom, linda, você merece...
-- Ah, vamos lá, estava te esperando pra dar uma volta comigo... Estrear meu carro novo, vamos?
-- Amy, desculpe-me, não estou me sentindo muito bem, vamos deixar pra outro dia?
-- Mas, Esther, estava só esperando você...
-- Desculpa, Amy...
A morena entrou na mansão sem olhar para trás, subiu direto para o seu estúdio, sentou em frente ao piano e uma canção triste, conhecida das veteranas soou pela casa.
Rachel reconhecia de longe aquela música, era uma composição de Esther para seus pais, logo deduziu que algo despertara as lembranças do seu passado trágico.
Amy perdeu toda empolgação com a frieza de Esther, já estava nas escadas, quando Laurel a chamou:
-- Amy... Quero estrear o seu presente, vamos lá...
-- Ah, irmã... Fica pra outro dia, vou ver o que Esther tem, ela estava estranha.
-- Uma dica: está ouvindo essa música?
-- Sim... Vem do estúdio, deve ser Esther tocando... Vou subir.
-- Amy, a Esther sempre toca quando quer ficar sozinha; essa música, ela fez para seus pais.
-- E o que tem de triste nisso?
-- Amy... Você não sabe? Esther perdeu os pais ainda criança, primeiro a mãe, de a um câncer, depois seu pai em um acidente.
-- Bom... Sabia que ela havia perdido o pai, já que o barco é herança dele... Mas não sabia que havia sido tragicamente assim... Nossa, não sei quase nada dela... E estou assim, tão apaixonada...
O rosto de Lauren parecia encher-se de tristeza ao ouvir isso da loirinha, e retrucou:
-- Apaixonada? Mas... Pensei que fosse tudo apenas uma provocação...
-- No começo sim, Laurel... Mas agora... Até enfrentei minha mãe, e revelei que estou apaixonada por Esther.
A ruiva tentou disfarçar, mas a decepção no seu rosto era evidente. Pediu licença a Amy reiterando o conselho de deixar Esther sozinha, e saiu da mansão caminhando sem destino pelas ruas das fraternidades. Uma cena chamou-lhe a atenção: Ellen conversando intimamente com uma das meninas da fraternidade, uma das muitas que Esther já teve caso... A cena era incomum uma vez que para ambas estarem conversando fora da mansão, deveria ser mesmo algo muito secreto que nem as irmãs de fraternidade poderiam desconfiar.
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